Governo inaugura no Acre primeira fábrica estatal de camisinha

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A primeira fábrica estatal de preservativos do Brasil foi inaugurada nesta segunda-feira em Xapuri, no Acre, e será a primeira do mundo a produzir camisinhas com látex de seringueira nativa da Amazônia. Com capacidade para produzir 100 milhões de unidades de preservativos por ano, a Natex teve investimento de 31,3 milhões de reais e começará a fabricação para o consumo a partir do fim de junho. Segundo o governo, a capacidade de produção anual pode ser ampliada para 270 milhões de unidades.

Reuters |

'Com a produção da fábrica, o Ministério da Saúde pretende ampliar o acesso da população do país ao preservativo masculino. Em 2007, foram distribuídos 120 milhões de unidades', informou o Programa Nacional de DST/Aids em comunicado.

Segundo o governo, o empreendimento surgiu da 'necessidade de investir na indústria nacional de produção de preservativos para reduzir a dependência de importação', e envolve ainda o manejo sustentável da floresta, o uso racional dos recursos naturais e a incorporação de tecnologia às populações extrativistas.

O Brasil importa quase 100 por cento das camisinhas distribuídas pelo Ministério da Saúde, especialmente da Ásia.

Atualmente há no país três produtores privados de camisinhas.

Outro motivo que impulsionou a construção da fábrica, segundo o governo, é o fato de o Brasil ser rico em látex.

A Natex é a única fábrica do mundo a utilizar látex extraído de seringais nativos da Amazônia. Atualmente, todo o látex empregado na confecção de preservativos sai de fazendas de cultivo, especialmente do sudeste da Ásia.

O empreendimento no Acre envolve 550 famílias da Reserva Extrativista Chico Mendes, responsáveis pela extração do látex para produzir o preservativo. O ministério estima que, até o fim de 2008, o número de famílias poderá chegar a 700.

O Acre já desenvolve um amplo programa de incentivo ao desenvolvimento da cadeia produtiva de borracha natural, matéria-prima usada na fabricação da camisinha e o principal produto extrativista do Estado.

(Por Maria Pia Palermo)

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