Governo gaúcho abre sindicância para apurar grampos

O governo do Rio Grande do Sul abriu uma sindicância administrativa para apurar o vazamento de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e a possível violação do sistema de escuta, por agentes públicos, para espionagem ilegal. A decisão foi tomada hoje, depois de a Rádio Gaúcha ter divulgado o conteúdo das oito gravações entregues pelo ex-ouvidor da Segurança Pública, Adão Paiani, à Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS) no dia 13 de março, às quais teve acesso.

Agência Estado |

Os diálogos foram gravados entre os dias 8 e 19 de setembro do ano passado em investigação da campanha eleitoral do vereador de Lajeado Márcio Klaus (PSDB), que, depois de reeleito, perdeu seu novo mandato por crimes eleitorais como compra de votos, utilização de bem público e abuso do poder econômico.

Reveladas agora, as conversas também colocam sob questionamento alguns atos do chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB), Ricardo Lied, que poderia ter acessado informações privilegiadas para passá-las a Klaus. Numa das conversas, o então vereador dá a entender a um interlocutor que recebeu de Lied a informação de que o carro que seguia discretamente seus cabos eleitorais era da Brigada Militar. Em outra, é informado pelo próprio Lied que a ficha criminal do ex-deputado estadual Luiz Fernando Schmidt (PT), então em disputa pela prefeitura de Lajeado com Carmen Regina Cardoso, do PP e apoiada pelo PSDB, não continha nada além de um registro de perda de documentos.

Depois de uma entrevista à Rádio Gaúcha, na qual negou ter acessado ou repassado informações sigilosas à Klaus, Lied não voltou a falar com a imprensa sobre o assunto. Durante a sindicância, ele vai permanecer no cargo. "Seria pré-julgamento inadequado (tirá-lo)", justifica o chefe da Casa Civil José Alberto Wenzel. "As pessoas têm que ter direito de defesa".

A descoberta de que seus adversários políticos acessaram o sistema de informações da Segurança Pública na busca frustrada de informações comprometedoras surpreendeu Schmidt, que vai se aconselhar com advogados para tomar alguma medida.

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