Governo favorece pai americano, diz padrasto de garoto

O advogado João Paulo Lins e Silva, que disputa a guarda de seu enteado S.G.

Agência Estado |

, de 8 anos, com o pai do garoto, o norte-americano David Goldman, acusou o governo brasileiro de agir em favor de Goldman. Em carta enviada hoje ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Lins e Silva afirma que se sente "completamente desamparado" e que a "União pleiteia um direito em favor particular de um americano contra um brasileiro que vem sendo massacrado pela imprensa, que não dorme com calma, que se vê obrigado a requerer à Justiça liminares para que o assunto não seja mais divulgado mesmo que esteja protegido pelo segredo de Justiça".

Na carta, ele pede que o Conanda "analise e proteja os direitos de uma criança brasileira", que sofre "um jogo político internacional nefasto e inconsequente". Para ele, "os interesses políticos estrangeiros parecem estar acima da nossa lei, e se não bastasse, acima do interesse maior de uma criança brasileira". Lins e Silva cria o menino há quatro anos e meio, desde que casou-se com a mãe dele, a estilista Bruna Bianchi, morta em agosto do ano passado momentos depois do parto da filha do casal.

Bruna morou com o norte-americano nos Estados Unidos por quatro anos, veio para o Brasil com o garoto para passar férias, decidiu ficar e informou Goldman, por telefone, da separação. Como fizeram parentes de Bruna em entrevistas recentes, na carta o advogado afirma que Goldman nunca esteve no País para ver o filho e que veio ao Brasil apenas depois da morte de Bruna "porque sentiu cheiro de dinheiro, tendo em vista a eventual herança que poderá S. G. receber".

Goldman nega ter interesse financeiro e afirma querer apenas ter o filho "sequestrado" ao seu lado. O norte-americano entrou com ação no seu país pedindo a repatriação do garoto, invocando a Convenção de Haia, da qual o Brasil e os EUA são signatários. Como ele já disse em repetidas entrevistas, não veio ao Brasil ver o filho por conselho de seus advogados, porque isso "juridicamente" iria descaracterizar o sequestro. O advogado de Goldman, Ricardo Zamariola, não retornou pedido da reportagem para falar sobre as acusações de Lins e Silva.

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