Governo está preparado para cumprir decisão sobre Raposa, diz Tarso Genro

BRASÍLIA - Às vésperas do julgamento, que questiona a demarcação contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol, o ministro da Justiça Tarso Genro, afirmou nesta segunda-feira, que o governo está preparado para cumprir qualquer decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias |

O ministro minimizou ainda as declarações dadas pelo governador de Roraima, José Anchieta Júnior, de que qualquer decisão tomada pelo STF no julgamento da demarcação da terra indígena irá gerar conflitos na região. De acordo com Tarso, não haverá conflitos da parte do governo.

Mais cedo, Anchieta eximiu o Estado de responsabilidade pela segurança na região, alegando que, devido à jurisdição federal, cabe ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal a manutenção da paz no local. "Hoje o clima é tenso. Seja qual for o resultado, deve ter conflito. O nível de acirramento está muito grande", disse.

Já Tarso afirmou acreditar que a solução é a continuidade da demarcação. "Esta é a tradição do Supremo no País. Esta é a melhor interpretação da Constituição. Acreditamos que o STF irá julgar pela continuidade, mas seja qual for a decisão, nós vamos cumprir e não haverá nenhum tipo de conflito", garantiu.

Aguardando julgamento

Um dos pontos com maior potencial de problemas em Raposa é a região da Comunidade do Barro, onde está uma das principais entradas da reserva e uma vila conhecida como Surumu. A entrada da vila é atualmente monitorada por policiais da Força Nacional e da Polícia Federal, que ficam permanentemente no local.

Na vila moram índios a favor e contra a demarcação de terras contínuas. Os índios que são contra estão organizados em torno da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte Roraima (Sodiur) e apóiam - e muitas vezes trabalham - com os arrozeiros.

A expectativa é que os dois grupos, além de não-índios ligados aos dois lados, se reúnam em Surumu para acompanhar a votação no Supremo. Eles devem repetir o que se viu no dia 27 de agosto, quando ocorreu o início da votação no STF sobre o assunto, adiada após a leitura do voto do ministro Carlos Ayres Britto, a favor da demarcação contínua. Na ocasião, os dois grupos fizeram provocações e ameaçaram entrar em confronto. A presença da polícia impediu a escalada da tensão.

*(Com informações da BBC Brasil)

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