Governo envia reforço a Roraima após índios serem baleados

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal enviou um reforço de centenas de policiais para o Estado de Roraima, na terça-feira, depois de homens armados terem ferido a tiros dez índios na terra indígena Raposa Terra do Sol. A disputa começou em abril, quando a polícia tentou expulsar plantadores de arroz dessa reserva indígena. Os fazendeiros, no entanto, resistiram à desocupação bloqueando estradas, explodindo pontes e supostamente contratando pistoleiros.

Reuters |

Dez índios foram feridos a tiros na segunda-feira, três deles gravemente. Os índios disseram que foram atacados.

Segundo um fazendeiro, os índios invadiram as terras dele.

Imagens de TV mostraram homens encapuzados disparando com suas armas de cima e arremessando uma bomba de fabricação caseira.

O governo determinou o envio de 300 membros da Força Nacional de Segurança e da Polícia Federal para montar um acampamento dentro da reserva, disse um porta-voz da polícia.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o envio dos soldados, afirmou o Ministério da Justiça. A autorização foi concedida pelo ministro Ayres Britto, relator do pedido de suspensão da retirada dos não-indios da área -- demarcada em 1998 e homologada em 2005.

O STF deve decidir, dentro das próximas semanas, se ratifica ou anula a criação da reserva.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, viajou para a região na terça-feira a fim de supervisionar a operação.

Segundo o ministro, não se trata de qualquer ação de retirada de fazendeiros. 'Orientamos que a PF aja com a mesma cautela que agiu quando ocorreu a resistência paramilitar dos fazendeiros. São resistências absolutamente inaceitáveis', disse o ministro Tarso Genro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou a reserva três anos atrás, citando o direito constitucional dos índios de morar nas terras que ocupam há inumeráveis gerações.

O governador de Roraima, José Anchieta Júnior, afirmou na terça-feira que a reserva de 1,7 milhão de hectares era grande demais para os 17 mil índios que morariam dentro dela.

(Reportagem de Raymond Colitt)

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