Governo entra em cena e pode garantir sobrevida a Sarney

BRASÍLIA (Reuters) - O senador José Sarney (PMDB-AP) conseguiu nesta quarta-feira retomar parte do fôlego perdido na véspera, mas ainda não respira aliviado. O futuro do presidente do Senado está nas mãos do governo, mas também depende do surgimento de novas denúncias.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em cena para salvar o aliado, fundamental à governabilidade no Senado e à aliança estratégica para a eleição de 2010, em que o PMDB é parceiro prioritário.

O PT, originalmente a favor do afastamento temporário de Sarney, acabou enquadrado e passou a defender uma reforma estrutural da instituição com José Sarney (PMDB-AP) no cargo. Como o partido não optou pelo apoio incondicional, a decisão não o salva, mas pode lhe dar sobrevida.

"Nós sabemos quanto essa aliança é importante e o quanto a liderança do presidente Sarney junto à bancada do PMDB é decisiva", disse o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), defensor da licença.

Na terça-feira, Sarney teve seu pior dia. O PSOL protocolou contra ele um processo por quebra de decoro. PSDB, DEM e PDT pediram seu afastamento. As três legendas somam 32 dos 81 senadores.

A união de DEM e PSDB transformou a crise em disputa política. Do exterior, Lula acusou a oposição de querer ganhar o comando do Senado no "tapetão".

A decisão do PT de não retirar apoio formal a Sarney foi tomada em uma reunião da bancada de senadores, mas contou com a interferência pouco usual do presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP). Ele foi a voz do governo em nome da preservação da aliança com a cúpula do PMDB.

Pré-candidata à sucessão, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) também atuou a favor de Sarney. Diante da evidente desidratação de apoio político na véspera, ela pediu-lhe pessoalmente que não tomasse decisão alguma antes de conversar com Lula, de volta do exterior nesta noite.

O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), passou as últimas horas articulando. Ele fez chegar aos ouvidos de alguns senadores que era necessário tomar providências para acabar com a crise, mas sem sacrificar o atual presidente.

Ele chegou a confidenciar que José Sarney prefere a renúncia a ter de se licenciar do cargo.

Segundo o relato de um aliado que esteve com ele pela manhã, José Sarney estava menos abatido que na noite passada. Depois da reclusão na véspera, ele compareceu nesta tarde ao plenário para presidir uma sessão solene. Só não permitiu que os colegas fizessem discursos sobre sua situação.

"A história só vai se definir depois da conversa com Lula", ponderou o senador José Agripino (RN), líder do DEM.

Se não houver denúncias novas que inviabilizem sua permanência, o tempo trabalha a favor do senador. O recesso parlamentar começa em duas semanas.

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