A Secretaria Especial das Mulheres enviou hoje um pedido para que o Ministério Público Federal investigue, por crime contra os Direitos Humanos, a expulsão da estudante Geisy Arruda da Universidade Bandeirante (Uniban). Senadores, partidos e a Ordem dos Advogados do Brasil também se manifestaram.

O Ministério da Educação enviou hoje mesmo o pedido de informações para a Uniban, por fax e e-mail, pedindo explicações sobre o caso. A instituição terá 10 dias úteis para se explicar. "Lamentamos que a declaração da universidade dê respaldo à atitude agressiva da comunidade de alunos como se fosse em defesa do ambiente universitário", disse a ministra das Mulheres, Nilcéia Freire.

Já o presidente da OAB, Cezar Britto, criticou a decisão da Uniban de expulsar Geisy, classificando-a de "mentalidade obscurantista e nefasta". "A decisão da Uniban contra a estudante chancela a barbárie e o preconceito, inadmissíveis em qualquer parte, sobretudo no ambiente universitário, que tem a missão de bani-los", afirmou Britto.

A reação chegou também ao Senado. Em carta ao reitor da Uniban, Heitor Pinto Filho, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu a revisão da expulsão da estudante. "Venho respeitosamente fazer um apelo no sentido de que essa decisão possa ser reconsiderada. Possa, assim, a Uniban justamente aproveitar a oportunidade para que toda a comunidade venha refletir melhor sobre o acontecimento e que venhamos todos a aprender com o mesmo", disse o senador.

Em discurso no plenário, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) chamou de "ato de vandalismo e histeria coletiva" a agressão dos estudantes da Uniban contra Geisy. "Aqui, a questão central, a ferida aberta é o preconceito, a intolerância, o desrespeito, a injustiça que ainda se esconde na cabeça e no coração de alguns poucos. A jovem Geisy deve ser protegida e seus direitos garantidos contra essas ofensas e arbitrariedades", discursou Serys.

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