O governo do Rio Grande do Sul demitiu hoje o presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Sérgio Buchmann, e nomeou o contador Sérgio Filomena para o cargo. Buchmann volta para a Secretaria da Fazenda, na qual é funcionário de carreira.

Filomena, que também é da área técnica, deixa o Departamento de Modernização de Gestão Pública da Secretaria de Planejamento e Gestão. Buchmann foi comunicado de seu afastamento pelo chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, e pelo secretário da Administração, Elói Guimarães. A troca é mais um episódio de uma confusa história ocorrida na semana passada, até agora não totalmente esclarecida, que forneceu combustível político à oposição no Estado.

Conforme reportagem do jornal "Zero Hora, Buchmann disse que
na noite da terça-feira da semana passada foi procurado em sua casa pelo chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB), Ricardo Lied, o delegado Luiz Fernando Martins e o superintendente dos Serviços Penitenciários, Mário Santa Maria Júnior. Na conversa, no portão do edifício onde mora, foi informado de que seu filho Fábio, de 26 anos, que mora em outro endereço, seria preso por tráfico de drogas.

Também afirmou que recebeu a sugestão de ligar para avisar o rapaz, o que recusou, sob alegação de não usar o cargo para favorecer um familiar. Além disso, admitiu temer estar sendo vítima de uma armadilha porque pensou que o telefonema poderia estar sendo grampeado para eventual desgaste de sua imagem à frente do Detran. Na madrugada de quarta-feira Fábio foi preso e Buchmann contou a visita que recebeu ao jornal "Zero Hora".

A corregedoria da Polícia Civil abriu sindicância para investigar se houve tentativa de vazamento de informações. Já a bancada do PT na Assembleia Legislativa encaminhou pedido de explicações à Secretaria da Transparência. O titular da pasta, Francisco Luçardo, não comentou a solicitação, mas já havia dito que a atitude de Lied não precisava ser investigada por não conter dolo ou malícia.

A versão oficial para a demissão de Buchmann, dada por Wenzel, é de que o presidente do Detran havia pedido para sair há cerca de 15 dias, mas deixou escapar que também "existiu a questão da semana". O chefe da Casa Civil não disse, mas o governo ficou descontente com a atitude de Buchmann, que tornou pública a misteriosa visita que recebeu. Wenzel revelou que nos próximos 15 dias haverá uma reformulação de quadros próximos à governadora, mas não adiantou se a posição de Lied está ameaçada nem citou nomes que podem sair. Afirmou, no entanto, que o secretariado não vai mudar.

Operação Rodin

A nova polêmica é apenas mais uma no Detran gaúcho. Em novembro de 2007, a Operação Rodin da Polícia Federal descobriu uma fraude de R$ 44 milhões na autarquia, praticada por fornecedores e diretores. Uma CPI que investigou conexões políticas do caso derrubou quatro secretários de Yeda no ano passado. Neste ano, presidentes como Buchmann e sua antecessora Estela Maris Simon teriam sido pressionados pelo Piratini a manter pagamento de R$ 16 milhões que consideravam excessivos a uma empresa prestadora de serviços de guincho e depósito de automóveis. O caso ainda não se resolveu.

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