Governo do Rio quer tirar traficantes da orla turística

Com o anúncio hoje de mais duas ocupações ainda este ano das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas favelas Ladeira dos Tabajaras e Morro dos Cabritos, em Copacabana, o governo do Rio pretende banir de toda a orla turística da cidade o tráfico ostensivo de drogas e a presença de traficantes armados com fuzis e metralhadoras. Com a ocupação destas comunidades, nós teremos mais de 130 mil pessoas livres do poder paralelo em seu cotidiano - seja da milícia, no caso do Jardim Batam (em Realengo, na zona oeste), seja do tráfico de drogas, como na Dona Marta (Botafogo) e da Babilônia e Chapéu Mangueira (Leme), disse Cabral.

Agência Estado |

No segundo dia de ocupação das favelas Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, o comércio das ruas próximas no asfalto fechou à tarde após um grupo ordenar que eles baixassem as portas. Policiais tentaram convencer os lojistas a abrir, mas não foram ouvidos. Foram detidos sob a suspeita de ameaçar os comerciantes, dois homens, quatro menores e cinco mulheres, uma delas identificada como irmã do traficante Paulo Henrique Duarte Correa, o Juca Bala, de 34 anos, do Pavão-Pavãozinho.

Tensão

Dois homens jogaram um granada contra uma patrulha da PM na Avenida Princesa Isabel. A explosão seguida de tiros disparados por policiais provocou pânico no bairro. A PM negou que a ocorrência tivesse ligação com a ocupação das favelas e informou que a dupla era perseguida após assaltar uma lanchonete. Um assaltante foi baleado e está internado em estado grave. O outro foi preso.

Apesar da ausência de tiroteios, o clima ainda é tenso no Cantagalo e Pavão-Pavãozinho. Uma bomba do tipo Malvinas foi arremessada e explodiu próxima ao fotógrafo Marcos Arcoverde, no Cantagalo. Ele não foi ferido.

No interior da favela, o comércio, os serviços de coleta de lixo e as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) funcionaram normalmente. O único ponto em que o comércio estava fechado no Pavão-Pavãozinho era o beco situado 50 metros após o início da Ladeira Saint Romain. De acordo com os moradores, próximo ao local funcionava a boca de fumo mais frequentada. A venda de drogas nas favelas movimentava até R$ 300 mil por mês, segundo a polícia.

Policiais do Batalhão de Operações Especiais, o Bope e outros batalhões continuaram as buscas em casas e na mata por traficantes e armas. O homem ainda não identificado baleado durante o tiroteio de segunda-feira não resistiu e morreu.

As favelas ocupadas na zona sul eram dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho. A Rocinha, em São Conrado, passou a ser a única favela com intensa venda de drogas e sem a ocupação policial. Como a comunidade está sob o domínio da facção Amigos dos Amigos, a polícia monitora os traficantes do CV para evitar uma invasão. A Rocinha movimenta até R$ 8 milhões por mês com a venda de drogas. Após abertura de ruas e avenidas previstas pelo PAC, vários módulos de UPPs devem ser instalados na Rocinha.

Tiroteio

Durante pelo menos uma hora, os traficantes dos morros do Borel, Formiga e Casa Branca, na Tijuca, voltaram a trocar tiros. Os confrontos pelos pontos de venda de drogas, que envolve as facções criminosas Comando Vermelho e Amigos dos Amigos, já duram três semanas.

Apesar dos tiros e explosões ouvidos por moradores, a Polícia Militar informou que não há notícias de mortos ou feridos nos confrontos.

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