Governo desiste de privatizar aeroportos do País

BRASÍLIA - O governo abandonou a promessa de privatização da Infraero e dos aeroportos brasileiros. Sinais da mudança de rumo foram dados nesta quinta-feira na cerimônia de anúncio de contratação de uma consultoria, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para realizar estudos técnicos para a reestruturação da Infraero - Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária.

Agência Estado |

A previsão de conclusão dos estudos, que poderia levar à possibilidade de abertura do capital da Infraero, é maio do ano que vem, quando a campanha eleitoral pela sucessão no Planalto estará nas ruas.

Com isso, está adiada também a ideia de fazer concessões dos aeroportos de Viracopos, em Campinas, e Galeão, no Rio de Janeiro, como havia anunciado o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pressionava o governador fluminense, Sérgio Cabral. Também está fora da discussão, neste momento, a construção do terceiro aeroporto em São Paulo.

Em entrevista, o presidente da Infraero, brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva, assegurou que "não haverá privatização" da empresa. "O que se está pensando é na abertura de capital da empresa", mas ressalvou que "é num futuro, mais a longo prazo". O brigadeiro Nicácio acentuou ainda que a Infraero tem capacidade de administrar perfeitamente todos os 67 aeroportos, "com a maior competência" porque é hoje "uma das mais eficientes empresas de administração de aeroportos do mundo", conseguindo superação em relação ao Charles de Gaulle, em Paris, entre outros.

O brigadeiro disse ainda que "o desejo da empresa é se transformar em companhia de economia mista, dentro dos padrões mais modernos de governança corporativa atualizadas com o mercado, e qual é a capacidade de captação, só o BNDES vai nos dizer lá na frente".

Há dois anos a abertura de capital da Infraero vem sendo objeto de discussão. Paralelamente a isso, entrou na pauta, principalmente por pressão do governador do Rio, Sérgio Cabral, a concessão ou privatização do aeroporto do Galeão. O governo federal, então, incluiu Viracopos, de Campinas, neste projeto. Essa polêmica custou a demissão do ex-presidente da empresa Sérgio Gaudenzi, que alegava que era contra privatizar aeroportos rentáveis.

O novo presidente da Infraero, brigadeiro Nicácio, assumiu o cargo, no entanto, sem polemizar publicamente, mas trabalhando nos bastidores contra a proposta. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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