O governo de São Paulo conseguiu barrar na Justiça a veiculação de uma peça publicitária elaborada em conjunto por nove associações e sindicatos de policiais civis do Estado. A categoria está em campanha salarial desde o mês passado e planejava exibir ontem, no intervalo do Jornal Nacional , da Rede Globo, um vídeo de 34 segundos sobre o tema.

A liminar em favor da Procuradoria-Geral do Estado foi concedida anteontem pelo desembargador Ricardo Dip, do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo.

Em seu despacho, o magistrado acatou a tese do procurador-geral, Marcos Fábio de Oliveira Nusdeo, de que a peça "extrapola os limites do direito à informação e livre manifestação, objetivando causar pânico à população". Nas imagens, quatro atores vestidos como policiais civis batem à porta de um gabinete com a inscrição "governador", clamando por uma audiência. "Governador, queremos falar dos salários, os mais baixos do País", diz uma atriz. "Governador, precisamos falar sobre a segurança da população", diz outro ator.

A Associação dos Delegados da Polícia Civil de São Paulo (Adpesp) já recorreu da decisão. "É uma censura. Nem a ditadura militar fez isso", protestou o delegado Sérgio Roque, presidente da Adpesp. "Não queremos apenas melhores salários. Nossa proposta é de uma completa reestruturação da Polícia Civil, mas o governador, mal assessorado, não quer nos ouvir." A inserção no Jornal Nacional custaria R$ 150 mil às associações de classe.

Os policiais planejam entrar em greve a partir do dia 13. A categoria quer aposentadoria especial e o direito de eleger o delegado-geral. A principal reivindicação, porém, é salarial. Os delegados paulistas têm uma das mais baixas remunerações do País (R$ 4.247), atrás apenas de Minas, Bahia e Pará. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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