SÃO PAULO - A secretária de Desenvolvimento Agrário de Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina da Costa Dias, solicitou nesta quarta-feira a membros da Sociedade Rural Brasileira (SRB) apoio para impedir a demarcação de terras indígenas no sul do Estado.

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Ela esteve na sede da entidade, em São Paulo, acompanhada do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), Ademar Silva Júnior, e pediu empenho de todo o setor para a solução do problema envolvendo produtores e indígenas sul-mato-grossenses.

Desde agosto, a Fundação Nacional do Índio (Funai) tem realizado estudos para identificação de terras indígenas em 26 municípios do Estado. Esses estudos, disse Tereza Cristina, têm deixado os agricultores do Estado extremamente assustados, já que possíveis demarcações resultariam em expropriações de propriedades.

Segundo ela, essas propriedades estão entre as mais produtivas do País e ocupam cerca de um terço dos 35 milhões de hectares do Mato Grosso do Sul. Ainda de acordo com a secretária, essas áreas são responsáveis por 70% da soja produzida no Estado, 70% do milho e abrigam 4 milhões de cabeças de gado. Eles [a Funai] dizem que precisam de 1,5 milhão de hectares. Se fizerem metade do que pretendem, vão causar um prejuízo enorme para o Estado.

O presidente da SRB, Cesário Ramalho da Silva, mostrou-se solidário à situação dos produtores e disse que ajudará a barrar as ações para a demarcação. Segundo ele, o resultado dos trabalhos será decisivo para futuras identificações de áreas indígenas em outros locais do País. A questão não é só de Mato Grosso do Sul, é de todo Brasil, disse ele.

O secretário da Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, João Sampaio, que também esteve na SRB, classificou a situação como muito grave. Segundo ele, interpretações surreais e "ideológicas da legislação brasileira estão criando um conflito que, em breve, vai afetar outros Estados, como o Mato Grosso. Estaremos do lado de vocês [governo de Mato Grosso do Sul], pois a demarcação seria uma catástrofe para o estado.

A Agência Brasil procurou nesta tarde a Funai para que órgão comentasse o assunto, mas até a publicação desta reportagem não houve retorno. 

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