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Governo das leis virou governo do cara , ironiza Fernando Henrique Cardoso

FORTALEZA - Estamos transformando o governo das leis no governo do homem, do cara. Com essa crítica indireta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamado de o cara pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso classificou a crise de valores morais e éticos vivida, segundo ele, pelo Brasil atual. A frase foi dita por FHC durante palestra para industriais e empresários cearenses, num hotel de Fortaleza. A plateia aplaudiu.

Agência Estado |

Antes, para introduzir o assunto, ele narrou um breve diálogo travado com seu barbeiro, o "Jacaré", num estabelecimento que, segundo ele, é "uma portinhola lá em São Paulo". De acordo com FCH, Jacaré teria lhe feito o seguinte comentário: "A pessoa que chega lá em cima tem o direito de roubar". Ao que o ex-presidente diz ter respondido com espanto: "E você diz isso para mim, que cheguei lá? Ou está me chamando de ladrão ou de bobo". Seria a acumulação desses "pequenos desvios", segundo FHC, que nos dá o sentimento da impunidade. Depois de cobrar a retomada dos valores elementares, como a decência, finalizou a palestra conclamando: "Basta! Vamos ter que ter um Brasil melhor. E vamos andar juntos".

AE
Lula com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, nesta quinta-feira

Antes, durante entrevista coletiva, o ex-presidente comentou a crise vivida no Senado e a enxurrada de denúncias que pesam contra o presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP). Criticou a interferência do presidente Lula na questão.

"A essa altura o presidente Lula já refletiu um pouco melhor", comentou, referindo-se à afirmação do presidente de que o senador Sarney não poderia ser julgado como uma pessoa comum. "Qualquer que venha a ser o resultado, não nos cabe prejulgar, a Comissão de Ética não pode estar sob suspeição", observou.

Em seguida, disse ser um "estapafúrdio" o fato de 70% dos integrantes da Comissão de Ética do Senado estarem envolvidos com algum tipo de irregularidade. "Indicar para o Conselho de Ética pessoas que elas próprias são suspeitas de desvios éticos é estapafúrdio", condenou.

FHC também falou sobre as eleições previstas para o ano que vem. Reafirmou que Lula precipitou o processo ao lançar o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sua candidata e de tê-lo feito "sem ter consultado sequer o partido dele". Perguntado quando seria conhecido o nome do candidato tucano que vai disputar as eleições presidenciais, disse apenas: "Isso é um processo político. Não tem data".

E questionado sobre quem estaria melhor preparado para a missão, se o governador de Minas, Aécio Neves, ou o de São Paulo, José Serra, foi ainda mais reticente: "Os dois estão preparados. Ninguém é bom para tudo e ninguém é bom a qualquer momento". A escolha, segundo ele, será feita tomando por base quem, em determinado momento, poderá unir mais o partido. Com relação a uma eventual candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista, FHC disse achar "estranho" e "esquisito" Ciro abandonar sua base eleitoral. "Por que não o Ceará?", questionou.

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