Governo convoca aliados e oposição vai unida em CPI da Petrobras

BRASÍLIA (Reuters) - O governo convocou para terça-feira uma reunião de emergência com aliados ainda na esperança de evitar a CPI da Petrobras, mas partidos como o PMDB já têm até nomes para compor o inquérito parlamentar. A oposição também se reunirá na mesma data para traçar estratégia de atuação durante as investigações.

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PSDB e DEM terão três das 11 vagas titulares da CPI, o mesmo número que o bloco de apoio ao governo, composto por PT, PSB, PCdoB, PR e PRB.

PP, PTB e PDT, apesar de alinhados ao Planalto, votam de forma independente em muitas ocasiões. Cada um desses partidos contará com uma vaga.

Já o PMDB, sempre fiel da balança, terá direito a dois assentos na CPI. O líder da bancada, Renan Calheiros (AL), deve se autoindicar. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tende a ser o segundo nome da legenda.

"Em se tratando de PMDB, tudo é possível. Ele pode ajudar o governo ou atrapalhar o governo, vai depender muito dos interesses da cúpula do partido", afirmou o senador Jarbas Vasconcelos (PE), do PMDB, mas alinhado com a oposição.

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que não conseguiu retirar as assinaturas de apoio à CPI dada por integrantes da base aliada, comandará a reunião na manhã de terça, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede temporária do governo.

Enquanto a Presidência da República ainda avalia as chances de evitar uma investigação política, a oposição --inicialmente rachada sobre a criação da CPI-- faz o movimento contrário.

"Defendo que vá para CPI quem tenha perfil para participar de um processo de investigação com equilíbrio e competência", disse o líder do DEM, senador José Agripino (RN), tentando rebater as críticas do governo de que o partido, mais o PSDB, apostam na lógica do quanto pior, melhor.

Segundo ele, a audiência pública com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, não aplacaria a ânsia da oposição por uma CPI. O objetivo é apurar suspeita de irregularidades fiscais e em licitações.

"A estratégia de ouvir o Gabrielli, que era o que eu sentia como a posição majoritária na bancada, é uma etapa vencida. A instalação da CPI é um assunto definido", disse Agripino.

O DEM não mostrava interesse pela CPI na semana passada, quando o PSDB comandou a leitura do requerimento que deu início ao processo de criação da comissão.

(Reportagem de Natuza Nery e Fernando Exman)

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