Governo coloca Força Nacional à disposição do Rio

Em meio a repercussões negativas em todo o mundo sobre a nova onda de violência desencadeada no Rio de Janeiro, o Ministério da Justiça colocou hoje a Força Nacional de Segurança Pública e o Sistema Penitenciário Federal à disposição do governo do Estado, para reforçar o combate à criminalidade. Por meio de nota, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) negou que a ordem para invasão do morro dos Macacos, na zona norte do Rio, tenha partido do presídio federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná.

Agência Estado |

Essa é a terceira vez nos últimos anos que a Força é acionada para atender situações emergenciais no Rio. A primeira foi nos Jogos Panamericanos, em 2006, e a última, em janeiro de 2007, quando uma onda de ataques do crime organizado matou 12 pessoas e deixou dezenas de feridos. Delegacias e postos da Polícia Militar foram atacados a tiros, ônibus foram incendiados e mais de uma centena de suspeitos foi parar na prisão. Até as Forças Armadas foram acionadas para tentar controlar a onda de violência, mas a ideia acabou sendo engavetada.

Desde então, 26 líderes de facções criminosas e bandidos de alta periculosidade do Rio, como Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Elias Maluco, foram transferidos para penitenciárias federais, entre as quais as de Catanduvas e Campo Grande.

Ordem de invasão

Na nota, o Depen diz repudiar a informação, atribuída à Polícia Civil do Rio, segundo a qual a ordem para os confrontos de sábado teria partido de traficantes custodiados em Catanduvas, a primeira unidade do sistema penitenciário federal, construído em 2004.

O diretor do Sistema Penitenciário Federal, Wilson Damázio, disse ter recebido do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, em conversa telefônica, a negativa categórica de que tenha partido da Polícia Civil do Estado a notícia de que a ordem dos ataques partira de Catanduvas. Os dois, ambos delegados federais, estão em contato permanente desde o início da crise, no sábado. "O serviço de inteligência do Sistema Penitenciário Federal e todo o aparato de segurança presente nas unidades não permitem comunicação com o ambiente exterior", garante Damazio.

O Ministério da Justiça, conforme a nota, ofereceu ao governo fluminense novas vagas para receber detentos do Rio que estejam por trás dos recentes ataques no Morro dos Macacos e outras favelas da capital. "Os serviços de inteligência do Depen e da Secretaria de Segurança Pública do Rio mantêm contato diário para monitorar a situação dos presos que estão sob a guarda do Sistema Penitenciária Federal", ressalta o comunicado.

A pasta tem cinco penitenciárias federais de segurança máxima, quatro delas inauguradas, com capacidade para 208 detentos cada. Elas são dotadas do que há "de mais moderno" em termos de equipamentos de segurança, segundo a nota, o que inclui sofisticados sistemas de inteligência e os agentes são altamente treinados. Desde que entraram em funcionamento, há mais de 3 anos, não se registrou nenhuma morte, fuga, rebelião, entrada de aparelhos celulares ou armas. As visitas dos presos e até advogados recebem acompanhamento especial.

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