Governo cobra investimento privado após 1 ano de crise

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - No primeiro aniversário da quebra do Lehman Brothers, marco maior da crise financeira que abalou a economia global, o governo comemorou a forma como o Brasil atravessou os momentos mais críticos, mas fez um apelo para que o setor privado eleve seus investimentos para garantir um ciclo de crescimento sustentável no país.

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"Agora é hora de a gente fazer investimentos", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

"Quem tem investimento, quem parou por conta da crise, comece agora, porque o investimento feito agora vai demorar três anos", afirmou, acrescentando que esse é o prazo previsto para que as economias europeia e norte-americana se recuperem.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, bateu na mesma tecla e afirmou que, assim como o governo foi ágil, segundo sua avaliação, na adoção de medidas anticrise, os empresários precisam se antecipar e criar condições para o país crescer sem pressões inflacionárias.

"É importante que não olhemos apenas para 2010, quando temos capacidade não-utilizada para crescer na indústria", afirmou Meirelles a jornalistas após a reunião do conselhão em que também cobrou dos empresários presentes a retomada dos investimentos.

"Olhando o curto prazo nós temos capacidade para crescer. O importante é que nós nos programemos já para o longo prazo."

Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também destacaram preocupação com a desaceleração do comércio exterior resultante do desaquecimento da demanda mundial.

"A única coisa que nós temos é uma certa dificuldade no mercado externo", afirmou Lula, após declarar que a crise "está vencida no Brasil".

Ao destacar as dificuldades externas, Mantega reiterou que o governo não planeja mudar o regime de câmbio flutuante, mas defendeu um esforço para responder à questão da valorização cambial com a redução dos custos de produção.

"Estou falando dos custos financeiros, que ainda podem ser reduzidos", afirmou Mantega em discurso. "Temos que avançar ainda na área tributária...principalmente para investimento", acrescentou, sem dar detalhes.

Segundo Mantega, as medidas anticíclicas adotadas pelo governo em 2009, incluindo desonerações e elevação de gastos fiscais, tiveram um custo equivalente a 1,2 por cento do Produto Interno Bruto. Os efeitos diretos e indiretos sobre a economia foram de 2,5 por cento do PIB.

"Quando comparada a de outros países, (iniciativa anticrise) não foi cara", afirmou.

(Reportagem adicional de Natuza Nery)

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