Governo brasileiro solicita à Islândia extradição de Hosmany Ramos

BRASÍLIA ¿ A Secretaria Nacional de Justiça encaminhou nesta quarta-feira ao governo da Islândia o pedido de extradição do ex-cirurgião plástico e escritor Hosmany Ramos, de 63 anos. Ele foi preso na semana passada em Reikjavik quando tentou embarcar para o Canadá usando o passaporte de um irmão já falecido. O ex-cirurgião plástico está foragido do Brasil desde janeiro deste ano, quando não retornou ao Centro de Progressão Penitenciária de Valparaíso (a 577km de São Paulo) após uma saída temporária para as festas de fim de ano.

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Hosmany Ramos está preso na Islândia

Como o Brasil não tem acordo de extradição com a Islândia, a Secretaria Nacional de Justiça pretende usar o pacto de reciprocidade para trazer Hosmany de volta. O mesmo mecanismo foi utilizado no processo de extradição do banqueiro Salvatore Cacciola, que estava preso em Mônaco. Através do pacto de reciprocidade, o Brasil se compromete a extraditar para a Islândia qualquer cidadão deste País que for preso em território nacional.

De acordo com a Secretaria Nacional de Justiça, o secretário Romeu Tuma Júnior também enviou nesta quarta-feira às autoridades islandesas uma cópia do pedido de prisão contra Hosmany, expedido pela Vara de Execuções Criminais de Araçatuba, no interior de São Paulo. Tuma solicitou ainda ao governo da Islândia que mantenha o ex-cirurgião preso até que se concretize o processo de extradição.

Segundo o editor Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, que publica os livros de Hosmany no Brasil, o escritor, assim que foi preso na Islândia, confessou a um juiz local o crime e teve a pena reduzida. Ele foi condenado a 15 dias de prisão por estar viajando sem documentos.

A Secretaria Nacional de Justiça informou que Romeu Tuma Júnior pode ir à Islândia tratar dos trâmites legais da extradição de Hosmany. O governo brasileiro aguarda agora uma resposta oficial sobre os documentos enviados nesta quarta-feira.

Trajetória polêmica

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Hosmany foi preso pela primeira vez nos anos 80

No final dos anos 70, Hosmany Ramos era um médico famoso, trabalhava como assistente do cirurgião plástico Ivo Pitanguy e frequentava as colunas sociais da época. Em novembro de 1981, ele foi preso e condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato de dois cúmplices ¿ o piloto Joel Avon e o estelionatário Firmiano Angel ¿, por roubo de aviões e contrabando de carros importados.

Em maio de 1996, às vésperas de receber a liberdade condicional, Hosmany teve autorização para visitar a família no Dia das Mães e não retornou. O escritor foi preso meses depois, envolvido em um sequestro e condenado a mais 32 anos. Somadas, suas penas atingem 53 anos.

Em janeiro deste ano, Hosmany não retornou ao Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Valparaíso (a 577km de São Paulo) após uma saída temporária para as festas de fim de ano. Segundo advogados, a fuga seria um protesto contra as más condições da prisão e envolveria o medo de ser morto após as denúncias.

O ex-cirurgião plástico tem mais de cinco livros publicados, todos escritos enquanto esteve preso, sendo O goleador a última obra lançada.

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