Mãe da companheira de escalada diz que Kika Bradford 'não está nada bem' e continua na Argentina. Irmã de Bernardo tenta resgate

Bernardo Collares em ação
Reprodução/janinecardoso.com
Bernardo Collares em ação
Itamaraty ofereceu apoio total e pôs à disposição da família do montanhista Bernardo Collares, 46 anos, um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) para tentar fazer o resgate do esportista e presidente da Federação de Montanhismo do Rio de Janeiro (Femerj), que se acidentou durante escalada na Patagônia argentina.

“O Itamaraty ofereceu todo o apoio e até um helicóptero da FAB. Isso levantou o nosso ânimo, mas não se sabe até que ponto isso será possível por causa da distância e do clima”, disse ao iG o cunhado de Bernardo, o argentino Guillermo Luís, casado com a irmã, Érica Collares.

Bernardo chegara ao cume do monte Fitz Roy, ao lado da amiga Kika Bradford, e iniciava a descida quando se acidentou ao fazer um rapel e quebrou a bacia, dando origem a uma hemorragia interna. Kika desceu por dois dias e duas noites em busca de socorro, deixando com ele um saco de dormir e provisões.

Érica Collares viaja esta noite para a Argentina, com o filho Hugo e um amigo montanhista experiente, com a esperança de fazer o resgate do presidente da federação. “Todo mundo está falando da dificuldade do resgate. Nós nos dividimos entre a esperança e em outra parte de realidade. A lógica diz que ele morreu, mas a esperança é a última que morre”, disse Guillermo Luís.

Ele afirmou não ter novas notícias sobre um eventual resgate, na Argentina. “A única informação que temos é de que o clima continua muito fechado e que é difícil precisar quando seria possível um resgate. Infelizmente, a lógica diz que ele não está vivo”, afirmou Guillermo.

Companheira de escalada está abalada psicologicamente e continua na Argentina

Bernardo na Argentina, durante expedição em que quebrou a bacia. Ainda não há previsão de resgate
Agência O Globo
Bernardo na Argentina, durante expedição em que quebrou a bacia. Ainda não há previsão de resgate
Kika Bradford, companheira de escalada de Bernardo Collares, continua em El Chaltén, na Argentina, e está muito abalada psicologicamente, de acordo com sua mãe, Vera Bradford.

“Ela não está nada bem. Bernardo é o melhor amigo dela, e os dois estavam juntos. Kika está em choque. Quando falou conosco, respondia a tudo monossilabicamente, com ‘é’, ‘não’, ‘não’”, contou Vera, ao iG . De acordo com ela, o contato com Kika está difícil e as conversas são rápidas. A filha está acompanhada do namorado, e o iG apurou que ela não pode deixar o país por ora devido ao acidente do montanhista.

Vera disse não ter informações sobre eventual resgate a Bernardo.

Embora o Fitz Roy não seja um monte tão alto em comparação a outros (tem 3.375 metros), sua escalada é tida por especialistas como muito técnica e apenas para montanhistas de alto nível, por causa de suas paredes verticais e pelas duras e inconstantes condições meteorológicas.

Não foi o primeiro acidente grave de brasileiros escalando na América do Sul. Em 1998, outros montanhistas de elite morreram tentando atingir o cume do Monte Aconcágua, na fronteira da Argentina com o Chile, pela parede sul. Mozart Catão - primeiro brasileiro a subir ao Everest, ao lado de Waldemar Niclevitz -, Alexandre Oliveira e Othon Leonardos morreram após serem atingidos por uma avalanche.

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