Governo aciona Polícia Federal para investigar hackers

Investigações serão mantidas em sigilo até que os trabalhos sejam concluídos

Ricardo Galhardo, iG São Paulo, e Ana Paula Leitão, iG Brasília |

A Polícia Federal foi acionada para investigar a onda de ataques de hackers a sites do governo na internet, já considerada a maior da história. Uma investigação formal foi instaurada para averiguar as invasões, mas os resultados serão mantidos em sigilo até que os trabalhos sejam concluídos.

Reprodução
Reprodução do site do IBGE, após o ataque de hackers
A tarefa de identificar os responsáveis pelos sucessivos ataques a páginas oficiais, assim como os autores do vazamento de supostos dados pessoais da presidenta Dilma Rousseff e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi repassada à Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF.

Com a decisão, o governo tenta estancar a sucessão de ataques virtuais inaugurada na semana passada, quando um grupo de crackers quebrou a segurança de um site do Exército e roubou dados como CPFs e endereços de email. Desde então, vários sites oficiais foram invadidos. Entraram na lista as páginas da Presidência, do Governo Brasileiro , da Petrobras , do Senado, além de vários ministérios e órgãos oficiais. Algumas áreas do governo que tiveram suas páginas tiradas do ar negaram ataques e disseram que a falha reflete medidas preventivas diante das ameaças. Nesta sexta-feira, também foram atacados o site do Ministério dos Esportes e o twitter do presidente da Câmara, deputado federal Marco Maia (PT-RS).

Como o iG mostrou, a estratégia do governo brasileiro diante de ameaças virtuais costuma ser a do contra-ataque. No Exército, por exemplo, a tarefa cabe ao general José Carlos dos Santos, apelidado de "General Firewall", que comanda um centro encarregado de detectar ataques de vírus e outras ameaças.

Nos últimos dias, além da escalada no número de ataques, o tom das ameaças também aumentou. Ao derrubar o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na madrugada desta sexta-feira, um grupo de hackers disse que, neste mês, o governo vai viver o maior número de ataques virtuais da sua história. Eles descrevem a ação como uma forma de protesto de quem quer um Brasil melhor.

Ontem, integrantes do grupo cracker Fatal Error Crew se descreveram como pessoas "comuns". "Pegamos balada, bebemos", disse ao iG um membro do grupo. O mesmo grupo diz ter atacado 500 sites de prefeituras e câmaras municipais.

Monitoramento

Responsável por hospedar os sites da Presidência da República e do governo brasileiro, além de prestar serviços em tecnologia da informação para diversos órgãos estaduais e municipais, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) informou que continua monitorando os acessos às páginas. A medida visa identificar e bloquear possíveis fontes que estejam gerando múltiplos acessos, o que congestiona o sistema e tira o site do ar.

De acordo com o Serpro, os incidentes até agora tinham o objetivo de provocar um alto tráfego e não provocaram danos aos dados públicos. De acordo com a assessoria de imprensa do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, os ataques estão sendo estudados mas, até agora, nenhuma medida de segurança foi anunciada. “Eles estão conseguindo muita projeção, mas não estão fazendo muitas coisas, só derrubando página”, disse porta-voz da assessoria.

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