BRASÍLIA (Reuters) - Os senadores da base aliada do governo não compareceram à sessão que deveria instalar a CPI da Petrobras, nesta quarta-feira, adiando mais uma vez o início da investigação sobre a estatal. Estavam presentes apenas os senadores da oposição Álvaro Dias (PSDB-PR), Sergio Guerra (PSDB-PE) e Antonio Carlos Magalhães Filho (DEM-BA), além de Paulo Duque (PMDB-RJ), que presidiu a sessão.

Sem o número mínimo de seis senadores, Duque encerrou os trabalhos sem instalar a CPI, criada há 26 dias.

Mais cedo, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), já anunciava o boicote. "Não vamos dar quórum enquanto a oposição descumprir nosso acordo. Por isso, vamos esvaziar a sessão", disse Jucá a jornalistas.

Na semana passada, os governistas haviam se utilizado da mesma medida.

O senador Álvaro Dias, autor do requerimento de investigação da Petrobras, ameaçou recorrer à Justiça.

"Isso se chama cercear o direito da minoria. Cabe-nos certamente medida judicial para que o STF (Supremo Tribunal Federa) possa determinar a instalação desta CPI", disse, ressalvando que não gostaria de tomar a medida para evitar a interferência entre os Poderes.

IMPASSE

Um impasse entre governo e oposição na CPI das ONGs (organizações não-governamentais) está servindo de motivo para emperrar a CPI da Petrobras.

O governo quer que a oposição devolva a relatoria na CPI das ONGs, o que DEM e PSDB se recusam a fazer. A relatoria era ocupada pelo senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), da base aliada, até ele ser deslocado para a CPI da Petrobras, onde ficou algumas horas.

Com sua saída, o presidente da CPI das ONGs, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), agiu rápido e indicou para o posto o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), e insiste em mantê-lo ali.

Arruda, que era titular na CPI das ONGs, virou suplente quando entrou como titular na CPI da Petrobras. A decisão foi logo alterada e a situação se inverteu, o senador voltou a ser titular na das ONGs e passou a suplente na da Petrobras. Um senador não pode ocupar o posto de titular em duas CPIs. Neste meio tempo, a titularidade passou para a oposição.

"Na semana que vem vamos conversar. Eu tenho certeza que o Dia dos Namorados vai amolecer o coração da oposição", ironizou Jucá sobre os próximos passos nas duas comissões parlamentares de inquérito.

O adiamento ajuda o governo a empurrar as investigações sobre a Petrobras --centradas em contratos, licitações e questões tributárias-- e também a chegar a uma decisão sobre os senadores que vão ocupar a presidência e a relatoria desta CPI, os dois principais cargos da comissão.

O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), tem restrições a que Jucá seja o relator. Renan quer se fixar como principal interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve interferir pessoalmente na disputa entre os dois senadores aliados.

Não há prazo regimental para instalar uma CPI e a falta de quórum é utilizada no Congresso para fixar posições.

(Texto de Carmen Munari)

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