Governistas e oposição discordam quanto à condução da CPI da Corrupção no RS

A primeira reunião da CPI da Corrupção começou com uma discussão sobre seu plano de trabalho. A CPI pretende investigar denúncias de desvio de recursos públicos e pagamento de propina que envolvem o governo de Yeda Crusius (PSDB).

Redação |

AE

Yeda vive clima de instabilidade no governo

De acordo com a assessoria da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, os deputados da base governista não concordam com a condução da presidente Stela Farias (PT) para definir o plano de trabalho.


Tomamos conhecimento agora de seu plano de trabalho, que foi escrito a sete chaves. Temos que discutir a proposta, sugeriu o deputado Luciano Azevedo (PPS).

Segundo o plano de trabalho elaborado pela presidente da Comissão, Stela Farias (PT), a CPI terá reuniões semanais nas segundas-feiras às 14 horas, com a possibilidade de serrem convocadas reuniões extraordinárias.

A investigação vai apurar se agentes públicos foram operadores, intermediários ou beneficiários da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran/RS entre 2003 e 2007, ou de irregularidades em licitações de merenda escolar, serviços e obras públicas ainda sob investigação dos 14 inquéritos sigilosos decorrentes da Operação Solidária da Polícia Federal.

Outra proposta de plano de trabalho foi exposta aos membros da CPI pelo relator, deputado Coffy Rodrigues (PSDB). Fiz análise, me aconselhei juridicamente e retirei do requerimento as prerrogativas que poderiam cercear qualquer deputado desta Casa, justificou Coffy, ao apresentar modificações no requerimento apresentado anteriormente.

Ele justificou que alterou o documento para atender reivindicações da presidência da CPI. Coffy informou que alterou a redação de um dos requerimentos, retirou outro e apresentou um novo, descrevendo o plano de trabalho da CPI. No requerimento, o relator sugere limitar o número de testemunhas por fato a cinco. Também indica o limite de duas testemunhas a serem ouvidas por sessão.

O tucano Adilson Troca sugere que seja estabelecido um acordo entre os membros da comissão, para que se tenha um plano elaborado em conjunto, de autoria do colegiado da CPI, e não de um ou outro membro.

O deputado Elvino Bohn Gass defende que a CPI seja conduzida com base no Regimento Interno da Assembleia Legislativa. Já participei de várias CPIs e no início sempre há esta discussão sobre as competências de cada um, menciona. Vamos começar os trabalhos, resume sua opinião.

Também o democrata Paulo Borge manifesta preocupação sobre os requerimentos. Ele diz que teme a não aprovação de nenhum requerimento. Há um desequilíbrio na composição da CPI, o que pode prejudicar a aprovação dos requerimentos, porque a minoria sempre vai perder, analisa.

"Golpismo"

Desde que o assunto surgiu, durante a CPI do Detran, no primeiro semestre do ano passado, a tucana nega ter praticado irregularidades e atribui as acusações ao "golpismo" da oposição, a quem acusa de tentar antecipar a campanha eleitoral de 2010.

Os primeiros requerimentos pedem que sejam chamados a prestar esclarecimentos à CPI o marido da governadora, Carlos Crusius, o ex-secretário-geral de governo Delson Martini, a assessora especial de Yeda, Walna Vilarins Meneses, o chefe de gabinete Ricardo Lied, o ex-proprietário da casa dos Crusius, Eduardo Laranja da Fonseca e o corretor Marcelo Albert, que intermediou a transferência do imóvel.

Como a possibilidade de entendimento é pequena, é provável que a primeira sessão se limite a aprovar a convocação dos ex-presidentes do Detran Carlos Ubiratan dos Santos, Flávio Vaz Netto, Estela Máris Simon e Sérgio Buchmann, com a qual as duas bancadas dão indicativos de concordar.

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