Governadores pedem a Lula nova política para floresta

Os governadores da região amazônica entraram oficialmente na briga pela aprovação do ¿desmatamento evitado¿ como mecanismo de combate ao aquecimento global.

Agência Estado |

Em carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os líderes dos nove Estados da Amazônia Legal pedem uma revisão urgente da posição brasileira com relação ao REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) nas negociações do acordo climático que substituirá o Protocolo de Kyoto.

Existe uma crescente convergência internacional para a inclusão das florestas no mercado de carbono regulado por Kyoto, diz a carta, assinada na sexta-feira, em Palmas, durante o 5º Fórum de Governadores da Amazônia Legal. Para surpresa de todos, dentro e fora do País, o governo do Brasil vem fazendo oposição à inclusão das florestas neste promissor mercado. Esta posição deve ser revista com urgência.

Protocolo de Kyoto

Pelas regras atuais do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto, somente projetos de florestamento e reflorestamento são válidos para obtenção de créditos de carbono.

O modelo REDD, se adotado, criaria a opção de uma compensação adicional, pelo desmatamento evitado - ou seja, pelo carbono que deixou de ser emitido graças à preservação da floresta. Não há mais argumentos técnicos que justifiquem a exclusão do REDD, disse Virgílio Viana, diretor da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), no Estado do Amazonas, que apoiou a formulação da carta.

"Há muita desinformação"

Para a especialista Thelma Krug, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), uma das representantes brasileiras nas negociações internacionais sobre clima, há muita desinformação sobre o tema.

Segundo ela, o Brasil defende, sim, a adoção do REDD - só que na forma de um mecanismo complementar de apoio à conservação, não como uma forma de compensar as emissões dos países desenvolvidos. Pode até ser uma mecanismo de mercado, mas que não seja compensatório, afirmou. Procurado pelo Estado, o Itamaraty não se pronunciou sobre o assunto.

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