Governador do DF diz que denúncias são manobras de adversário

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), disse, nesta quarta-feira, em entrevista ao jornal Correio Braziliense que as imagens em que aparece escondendo maços de dinheiro são manipuladas e foram articuladas por Joaquim Roriz (PSC), seu principal adversário político. Arruda negou que tenha sido chantageado por seu ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa e disse que, se absolvido das acusações, quer disputar a reeleição em 2010.

iG São Paulo |

Arruda afirma que manteve Durval em seu governo, mesmo sabendo que ele tinha 32 processos na Justiça por supostos desvios de recursos públicos, porque o considerava um amigo e excelente articulador. O governador reiterou que o dinheiro recebido foi utilizado na compra de panetones e disse que exigiu de seu secretário o recibo dos alimentos. Não há nos autos, ao que se conhece até agora, nada que possa me incriminar, afirma.

O governador se defendeu dos vídeos explicando que todo final de ano realiza campanhas sociais, onde distribui cestas básicas e panetones para pessoas carentes e, para isso, conta com a ajuda de empresários e políticos. Ele (Durval) me fez nesse dia uma doação de livre e espontânea vontade. Não fez apenas naquele ano, fez em outros anos também. Por que gravou? Não sei. Já com alguma má fé naquela época, talvez, diz.

Questionado sobre a gravação da Polícia Federal em que aparece falando de dinheiro, Arruda se confunde, diz que a conversa está muito truncada, mas garante que não se referia a propinas, mas a pedidos de emprego em administrações regionais que havia recebido.

Suposta chantagem

Grande parte da entrevista Arruda dedica a explicar porque manteve Durval no governo. Ele nega qualquer tipo de chantagem ou ameaça por parte do ex-secretário e considera que ele pode ter ficado insatisfeito por ter sido rebaixado de cargo. Isso poderia ter motivado as gravações.

Durante oito anos, ele foi presidente da Codeplan no governo Roriz e era gestor de um orçamento de R$ 500 milhões por ano em informática (...). Já informado que ele tinha processos em relação a ações no governo anterior, não permiti que ele fosse presidente da Codeplan (...). Permiti que ele continuasse no governo, mas em uma área burocrática, sem orçamento, sem nada. Creio que começa aí essa raiva dele contra a gente, explica.

Arruda garante que Durval sempre foi elegante e cordial com ele e, por isso, quando soube do vídeo chamou o ex-secretario para conversar. Na ocasião, teria apresentado a ele 100 recibos dos outros doadores. O Durval, por alguma razão nunca ninguém tinha entregue para ele os recibos, aí eu entreguei. (...) Antes dele assinar esse recibo, eu já havia feito no Tribunal Regional Eleitoral o registro de todas as doações que recebi durante todos esses anos antes de ser governador, afirma.

Para Arruda, por trás da armação de Durval está o ex-governador Roriz. Nos dias que antecederam a ação da PF, o ex-governador falou no jornal Entrelagos, no jornal Hoje em Dia, e falou num jantar (com jornalistas) que algo muito grave iria acontecer. Ora, parece-me claro que o ex-governador estava informado da ação da Polícia Federal, defende, para logo ironizar: Será que se eu tivesse mantido ele (Durval) presidente da Codeplan e se eu não tivesse feito um corte de R$ 300 milhões na informática, será que ele teria feito tudo isso? Ou será que ele estaria feliz comigo?.

Ao se referir a Durval, o governador afirma que quando uma pessoa tem fama de ladrão faz de tudo para que o outro também tenha. Ele quer que todo mundo se iguale a ele. Esse jogo sujo da política brasileira me enoja, afirmou.

Partido

Arruda disse que o escândalo atrapalha o seu partido e a si próprio e que foi correta a abertura de um processo disciplinar. Os fatos são graves, afirmou, mas acrescentando que se puder apresentar todas as informações isso deve ser revertido.

Ainda sobre o DEM, Arruda disse ter uma gratidão muito forte com o partido e, que se os líderes acharem que ele está incomodando, não terá problema em sair. Porém, ressalta que não é isso que parece que irá acontecer. Falei com mais de 50 parlamentares do DEM e recolhi deles posições de carinho, de solidariedade, de confiança, afirma.

Renúncia e eleição

Arruda garante que nunca pensou na possibilidade de renunciar e que, quando se está com a consciência tranquila não há motivo para isso. Ele afirma que quer ficar no governo até o final e entregar todas as obras que prometeu.

Além disso, defende que tudo o que precisa é de tempo para que a situação seja esclarecida. Quando vem a batida de carro e vem aquela poeira enorme, ninguém sabe quem é o culpado. Todo mundo quer saber o que aconteceu. Posso dizer hoje que sofri um grave acidente de carro, mas não morri. Estou mais vivo do que nunca (...).Vamos esperar baixar a poeira, para saber qual dos carros estava na contramão.

Apesar de todas as denúncias, o governador do Distrito Federal diz que ainda têm disposição para enfrentar uma nova eleição e se manter no poder. Tudo o que eu quero é enfrentar o Roriz nas urnas, porque a sensação que eu tenho é que ele, neste momento, com esta articulação que fez com essas pessoas, tenta me derrubar no tapetão, antes da eleição, talvez com medo de me enfrentar, afirma.

Escândalo no Distrito Federal

Entenda

Inquérito da PF

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Crise de 2001


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