O governador de Roraima, Anchieta Júnior (PSDB), e o líder dos arrozeiros Paulo César Quartiero, prefeito de Pacaraima pelo DEM, viajaram hoje para Brasília, onde assistem amanhã ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade da demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol. Lideranças do Conselho Indígena de Roraima (CIR), que defende a manutenção dos limites atuais da reserva, também acompanham o caso na capital do País.

A véspera do julgamento registrou sinais de tensão em Boa Vista. Cerca de 500 índios, trabalhadores rurais sem-terra e sem-teto bloquearam por quase três horas a BR-174, no sentido norte, impedindo o tráfego de veículos para a Venezuela e para a Vila Surumu, principal acesso para a Raposa Serra do Sol.

O protesto foi contra a revisão da demarcação contínua da terra indígena e pela desapropriação de uma fazenda às margens da BR-174. A Polícia Rodoviária Federal considerou a manifestação pacífica, mas uma pessoa foi detida após furar o bloqueio e invadir a pista onde estavam os manifestantes. O organizador do protesto, Frei Messias, disse que o grupo fará nova manifestação amanhã durante o julgamento, na Praça do Centro Cívico, onde ficam as sedes dos três Poderes do Estado.

Já em Surumu, principal foco dos conflitos, não houve incidentes, embora 500 índios tenham chegado de outras comunidades para acompanhar o julgamento. Eles também se aproximam das fazendas de arroz. As ameaças de invasão levaram os arrozeiros a protocolar documento na Polícia Federal (PF) pedindo o cumprimento de liminar dada pelo STF em abril. Na decisão, o ministro Carlos Ayres Britto determina a preservação dos imóveis, até decisão posterior.

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