Google vê digitalização de livros como oportunidade, e não ameaça

Frankfurt, 14 out (EFE).- A Google vê seu projeto de digitalização de livros como uma oportunidade, e não como uma ameaça para o mundo editorial, apesar dos temores expressados por muitos editores antes e durante a Feira do Livro de Frankfurt.

EFE |

O encarregado do projeto Google Books para a Espanha, Luis Collado, disse hoje, em entrevista à Agência Efe, que o plano respeita os direitos autorais vigentes.

"Essas são duas maneiras extremas de ver as coisas", disse Collado, diante das perspectivas ao ler os documentos da Google sobre seu projeto, quando se tende a crer que é uma ação filantrópica, e ao ouvir os editores, quando se acredita que é uma ação de desapropriação generalizada.

Segundo Collado, há uma parte do projeto da Google que pode ser considerada filantrópica, na medida em que está incorporando à rede textos que não têm direitos autorais vigentes e que, por conseguinte, são legalmente de domínio público.

"Há uma parte filantrópica, porque estamos colocando à disposição de qualquer pessoa com acesso à internet textos que são de domínio público", disse Collado.

Por outro lado, a digitalização dos livros que têm direitos autorais e não estão fora de catálogo só é feita pela Google após prévio acordo com os titulares dos direitos, segundo Collado.

No entanto, há uma "área cinza" que é a dos livros cujos direitos estão vigentes, mas que estão fora de catálogo, e, por conseguinte, estão fora do mercado.

"Nos Estados Unidos, a legislação nos permite digitalizar esses livros e colocá-los na rede, mas não podemos fazer isso na Europa, e não fazemos", disse Collado.

Collado disse que, para os livros fora de catálogo, a presença na internet poderia abrir novas possibilidades comerciais e que as editoras deveriam pensar em estratégias nesse sentido.

"Achamos que a digitalização pode voltar a abrir a comercialização desses livros, mas é necessário um acordo para isso", disse Collado.

O representante da Google insistiu em que o projeto da empresa não implica em que todos os conteúdos digitalizados serão de acesso livre e que as editoras podem também vender seus livros virtuais através da plataforma.

Em Frankfurt, Collado e outros diretores da Google se encontrarão durante os cinco dias da feira tanto com editores que já estão colaborando quanto com os que não quiseram participar, em busca de reduzir a resistência. EFE rz/an

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