Golpe usando o Conselho Nacional de Justiça faz vítima no Rio

Aposentada pagou R$ 48 mil a estelionatários que lhe ofereceram agilidade num processo judicial

Severino Motta, iG Brasília |

Um aposentada de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, foi vítima de um golpe aplicado por estelionatários que usam o nome do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para conseguir dinheiro de suas vítimas. Segundo a ouvidoria do órgão, a idosa pagou R$ 48 mil aos criminosos, que no início deste mês lhe prometeram agilidade em processos judiciais.

O conselheiro José Adonis, responsável pela ouvidoria do Conselho, explicou que os estelionatários têm preferência por servidores aposentados que estão com ações na Justiça. Conseguem, de maneira ainda desconhecida, dados pessoais dos cidadãos e pedem o pagamento de valores que giram na casa dos R$ 50 mil para agilizar a liberação dos créditos sub-judice.

“Toda semana recebemos denúncias sobre o golpe. A maioria não cai, desconfia e liga para o CNJ pedindo algum tipo de explicação. Mas, infelizmente, uma senhora acabou caindo”, disse.

De acordo com ele, o estelionatário que ligou para a aposentada se apresentou como Carlos Augusto e disse ser funcionário do Conselho. Ele solicitou que a idosa ligasse para um comparsa chamado Afonso Braga Morães, que se disse promotor de Justiça.

Esse “promotor” teria passado dois protocolos dos processos que a aposentada tem na Justiça e solicitado os R$ 48 mil para que os recursos sub-judice fossem liberados. No dia seguinte ao depósito, o estelionatário pediu mais dinheiro, que só não foi enviado pois o gerente do banco da idosa desconfiou da situação e entrou em contato com o CNJ, descobrindo o golpe.

Esse caso está sendo investigado pela Polícia Federal, que após as primeiras denúncias sobre a tentativa de golpe abriu inquérito para apurar o delito, mas ainda não conseguiu chegar nos responsáveis pelo crime.

O conselheiro Adonis destacou que o CNJ é um órgão de controle administrativo do judiciário, por isso não tem nenhum tipo de acesso a processos envolvendo pessoas físicas. Frisou, ainda, que em nenhuma hipótese o Conselho entra em contato com cidadãos solicitando dinheiro.

“Qualquer ligação em nome do CNJ pedindo dinheiro é golpe. Se isso acontecer, peço que entrem em contato com nossa ouvidoria, até para auxiliar nas investigações”, disse.

Entre as medidas para evitar o golpe, Adonis também informou que o site do CNJ está exibindo um banner alertando os internautas para o probelma. Nele, é dito que “em hipótese alguma realiza qualquer tipo de cobrança de valores ou faz contatos telefônicos com quem tem demandas na Justiça. Mais informações, ligue para a Ouvidoria do CNJ: (61) 2326-4607/2326-4608”.

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