GM do Brasil mantém planos de investimentos

Por Alberto Alerigi Jr. e Guillermo Parra-Bernal SÃO CAETANO (Reuters) - A GM do Brasil aposta que seguirá lucrativa e garantiu nesta terça-feira que manterá os planos de investimentos no país, apesar da crise atravessada pela matriz nos Estados Unidos.

Reuters |

O presidente da montadora no Brasil e operações no Mercosul, Jaime Ardila, afirmou que a empresa decidiu levar adiante investimentos de 2,5 bilhões de dólares para o período de 2007 a 2012 na região, dos quais 1 bilhão de dólares já foi aplicado.

"O Brasil continuará sendo o terceiro mercado mais importante no mundo para a corporação, depois dos EUA e da China", afirmou o executivo em entrevista coletiva realizada no dia seguinte ao pedido de concordata da GM nos EUA.

A ambição do governo dos EUA, que ficará com cerca de 60 por cento da montadora norte-americana reorganizada, é que a companhia norte-americana deixe a proteção contra falência em um prazo de 60 a 90 dias. A GM será dividida em duas: a "Nova GM" e a "Velha GM", a última que inclui partes da empresa que eventualmente serão liquidadas.

Segundo Ardila, a unidade brasileira da GM ficará na "Nova GM". "A recuperação judicial nos EUA não envolve nenhuma operação fora dos EUA ou operações totalmente independentes como a do Brasil", disse Ardila. "O governo dos EUA será dono da 'Nova GM' e da GM do Brasil por um tempo", acrescentou.

Segundo Ardila, a GM do Brasil é lucrativa desde 2006. Entre 2002 e 2005, a subsidiária teve prejuízo acumulado de cerca de 1 bilhão de dólares, obrigando a matriz a injetar recursos na filial.

"Para os próximos cinco anos, estamos certos que a GM do Brasil não precisa de ajuda e não vai receber ajuda da matriz."

Sem detalhar números, Ardila afirmou que a GM do Brasil teve em 2008 seu melhor desempenho em 80 anos de história no país e que "está sendo lucrativa em 2009".

A GM do Brasil ficou com 20 por cento do mercado nacional de veículos de janeiro a maio deste ano, de acordo com Ardila, nível que a empresa pretende manter em junho, quando se encerra a prorrogação da redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis.

As vendas da indústria automotiva no Brasil têm sido sustentadas pelo corte no IPI e aumento de crédito promovido pelo governo, em meio ao impacto da crise econômica global sobre o setor.

Ardila prevê que a indústria nacional venda 2,6 milhões de veículos em 2009, numa melhora sobre a estimativa de 2,4 milhões divulgada três meses atrás, mas abaixo das 2,8 milhões de unidades de 2008.

OPERAÇÃO INDEPENDENTE

Ardila disse ainda que a empresa tem liquidez para se financiar, mas não informou sua posição de caixa. Para as próximas semanas, a empresa decidirá a fonte do 1 bilhão de dólares necessário para fechar os investimentos planejados até 2012. "Hoje não estamos contratando empréstimos", disse.

Como exemplo da independência da filial brasileira, ele citou que a GM do Brasil não compra tecnologia da matriz. Pelo contrário, a unidade exporta conhecimento em motores bicombustíveis e veículos compactos e está fornecendo engenheiros para a futura fábrica de veículos pequenos que a empresa erguerá nos EUA.

Nos últimos três anos, contou Ardila, a GM do Brasil teve saldo líquido positivo com a transferência de tecnologia para outras unidades do grupo de 430 milhões de dólares, dos quais 165 milhões de dólares em 2008.

Segundo ele, a subsidiária --que emprega cerca de 21 mil pessoas no país e possui três fábricas-- não pretende fazer demissões e opera atualmente com turnos adicionais aos sábados para atender à demanda.

Ardila afirmou também que nenhum veículo vai deixar de ser produzido no Brasil e disse que a companhia lançará um carro compacto de uma nova família chamada Viva, grande aposta da empresa, ainda em 2009. Para o ano que vem, a GM planeja lançar mais quatro veículos, um deles da linha Viva.

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