Glaucoma: uma doença silenciosa que pode cegar

Glaucoma: uma doença silenciosa que pode cegar Por Amanda Valeri São Paulo, 05 (AE) - O glaucoma é uma doença causada pelo aumento da pressão intra-ocular que provoca a lesão nas fibras do nervo ótico, comprometendo definitivamente a visão. O perigo desse mal está na evolução gradativa e silenciosa.

Agência Estado |

Além disso, não há nenhum tipo de sintoma, apenas quando o estágio está avançado.

Para entender melhor como o glaucoma evolui, os médicos comparam os olhos a uma pia, na qual a torneia e o ralo permanecem sempre abertos. O olho é preenchido por um líquido chamado humor aquoso, que circula constantemente na câmara interior dos olhos, nutrindo a córnea e a lente. Após esse trajeto, o líquido é escoado pela malha trabecular, que funciona como o ralo. Quando há um entupimento do ralo de uma pia, a água transborda. Porém, isso não acontece nos olhos. O humor aquoso não realiza o fluxo normal e provoca o aumento da pressão intra-ocular, atingindo o nervo ótico. Formado por milhões de células nervosas, ele é responsável pela transmissão da informação visual até o cérebro. Com o aumento da pressão, essas células nervosas são danificadas e, assim, há uma perda da visão.

Segundo o oftalmologista Marcos Cezar Helena, chefe do Serviço de Oftalmologia do Hospital São Camilo, a deterioração das fibras do nervo ótico é gradativa. "As células vão sendo destruídas ao longo de muito tempo e acontece da periferia em direção ao centro", diz. "Em geral, a perda da visão total pode demorar de 30 a 40 anos." Porém, ele faz uma alerta: "Se a pressão for muito alta, isso pode acontecer em dois anos."
De acordo com o oftalmologista Eurípedes da Mota Moura, do Hospital Sírio-Libanês, a doença é tão temida porque os pacientes não sentem nada - nem dor, nem a vista embaçada. "As pessoas só se dão conta quando já estão com a visão comprometida", destaca. "Por isso que o glaucoma é uma doença perigosa e irreversível."
Existem vários tipos de glaucoma, mas, o mais comum, que representa quase 80% dos casos, é o crônico simples ou de ângulo aberto. Sua maior incidência é em pessoas acima dos 40 anos e, segundo Marcos Cezar, o aumento da pressão é lento e gradual e pode ter influência hereditária. "A atenção deve ser redobrada se algum parente tiver a doença", enfatiza.

Já o glaucoma agudo, de ocorrência mais baixa, provoca um aumento súbito da pressão ocular. "Neste caso há sintomas fortes como dor, vista embaçada e olhos vermelhos. Os pacientes sentem muita dor de cabeça e alguns chegam até a ter náuseas", diz.

Não há cura para a doença, mas existe tratamento clínico que consiste no uso de colírios para controlar a pressão interna. A cirurgia só é recomendada nos casos mais graves, mas o glaucoma não é corrigido totalmente. "As principais cirurgias visam desviar a drenagem. Nós destruímos, com laser, uma parte do órgão que produz o líquido para nivelar a pressão", explica Marcos Cezar. De acordo com ele, medicamentos via oral também são associados ao tratamento.

Segundo Moura, não existem medidas de prevenção do glaucoma. "A doença é detectada a partir de exames médicos freqüentes, pelo menos uma vez ao ano", alerta. "O tratamento do glaucoma é puro controle da pressão."

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