O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, prestou no final da tarde de hoje depoimento à Polícia Federal no inquérito que apura o grampo sofrido por ele e disse que desconfia que tem suas conversas telefônicas gravadas desde a Operação Navalha, em 2007. A Operação Navalha investigou supostas fraudes em licitações em obras públicas.

A desconfiança surgiu na época da Operação Navalha, quando Mendes recebeu uma ligação de uma jornalista perguntando sobre uma conversa telefônica que ele tinha tido cerca de duas horas antes com o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Na conversa, Mendes sinalizou a Souza que soltaria os presos na Operação Navalha. A história foi relatada por Mendes aos policiais durante o depoimento.

No julgamento de um pedido de habeas-corpus de um dos investigados na Operação Navalha, no início do ano, o presidente do STF contou que a jornalista teria indagado sobre detalhes da conversa com o procurador. "A mencionada jornalista informou-me que fontes da Polícia Federal comentaram que eu iria libertar todos os presos da Operação Navalha", disse.

"Voltei a falar com o procurador-geral da República sobre o assunto. Ele me informou que estava no Estado do Amapá e que não havia feito qualquer comentário sobre o nosso diálogo", afirmou Mendes na época do julgamento. "Fica então a indagação, senhor presidente: estávamos, o procurador-geral da República e eu, a ser monitorados por essas tais fontes", concluiu.

No depoimento de hoje, Mendes informou aos delegados Rômulo Berredo e William Murad o telefone que usou no dia em que foi grampeado. Ele disse que reconhecia os diálogos com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que foram gravados.

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