Gilles Jacob destaca importância do cinema latino-americano em Cannes

María Luisa Gaspar Paris, 24 abr (EFE) - O presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, destacou hoje a importante presença do cinema da América Latina na 61ª edição da mostra, que não data de hoje, mas que, atualmente, parece que volta a estar em forma, disse à Agência Efe. Dá gosto que um continente emerja de novo, disse Gilles Jacob, figura-chave há três décadas neste festival, considerado o mais importante do mundo em seu gênero. Ele apresentou hoje, junto com o delegado geral, Thierry Frémaux, o conteúdo da 61ª edição da mostra.

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O Brasil participa em várias seções do festival, entre elas a da competição, com "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, curta-metragem, com "O som e o resto", de André Lavaquial, e "Un Certain Regard", com "A Festa da Menina Morta", de Matheus Nachtergaele. Questionado sobre a crescente presença em Cannes de produções latino-americanas, Frémaux antecipou à imprensa que nos próximos dez anos aumentará ainda mais, com filmes de outros países, como Venezuela, América Central e Colômbia.

Agora o cinema "está muito identificado" com Brasil, México e Argentina, mas "em meio a tudo isto pode-se sentir uma ebulição muito importante", da qual o 61º Festival "não testemunha", mas os jovens diretores emergentes são muito promissores, destacou.

Para Jacob, esta vitalidade do cinema latino-americano ilustra "uma cultura que amamos" e que é um prazer "que esteja em Cannes", venha do Brasil, Argentina ou de outros países, "à espera" de que cheguem também a Cannes filmes "do Peru ou do Chile".

Além dos três filmes em competição pela Palma de Ouro e dos três que estão na seção oficial "Un Certain Regard", a rica presença latino-americana em Cannes chega até a competição de curtas-metragens e a Cinéfondation.

Ali, dois dos nove curtas em competição são o uruguaio "Buen viaje", de Javier Palleiro e Guillermo Rocamora, e o mexicano "El deseo", de Marie Benito.

Além disso, dos 17 curtas e média-metragens de escolas de cinema de todo o mundo selecionados para 2008 pela Cinéfondation estão "O som e o resto", de André Lavaquial, enviado pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro, e "El reloj", de Marco Bergier, da Universidade de Cinema de Buenos Aires.

Segundo anunciaram hoje, o júri da Cinéfondation e dos curtas-metragens será presidido pelo cineasta chinês Hou Hsiao-Hsien e integrado pelos diretores Suzanne Bier (Dinamarca), Olivier Assayas (França); a atriz Marina Hands (França) e o conservador do departamento de cinema do Moma Larry Kardish (EUA).

Em entrevista à Agencia Efe, Gilles Jacob ressaltou o fato de o México estar presente este ano na seleção oficial com o diretor Alfonso Cuarón, membro do júri da Palma de Ouro, que é presidido pelo ator Sean Penn.

Ambos compartilharão reflexões com a atriz americana Natalie Portman, a alemã Alexandra Maria Lara; o ator, cineasta e roteirista italiano Sergio Castellitto, e os diretores Rachid Bouchareb, da França, e Apichatpong Weerasethakul, da Tailândia.

O brasileiro "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, participa da sessão em competição com outras 19 obras, alguns de cineastas consagrados, outros de jovens talentos quase desconhecidos.

Dois outros filmes dentro dessa seção são latino-americanos: os argentinos "La mujer sin cabeza", de Lucrecia Martel, membro do júri há dois anos, onde estreou com "A Menina Santa", em 2004; e "Leonera", de Pablo Trapero, que volta a Cannes, mas disputa a Palma de Ouro pela primeira vez.

Muito estreitamente relacionada com a Argentina destaca-se "Che", fita de quatro horas de Steven Sodebergh, que deu a Benicio del Toro o papel do mítico guerrilheiro já evocado em 2004 por Walter Salles em "Diários de Motocicleta".

Estes filmes competirão pelo prêmio principal do festival junto com obras como "Changeling", de Clint Eastwood; "The Palermo Shooting", de Wim Wenders; "Le Silence de Lorna", de Jean-Pierre e Luc Dardenne; "Adoration", de Atom Egoyan; "Un conte de Noël", de Arnaud Desplechin; e "La frontière de l'Aube", de Philippe Garrel.

A Argentina estará em Cannes fora de competição com "Maradona", documentário do jogador, filmado pelo diretor sérvio Emir Kusturica.

Entre os 19 filmes da seção oficial "Un Certain Regard", na qual o diretor mexicano Amat Escalante estreará "Los bastardos", após ter se destacado nela em 2005 com "Sangre", o Brasil aparece com "A Festa da Menina Morta", de Matheus Nachtergaele, e "Afterschool", do americano de origem brasileira Antonio Campos.

Nesta mesma lista figuram, entre outros, os produtores Raymond Depardon, Kiyoshi Kurosawa, Pierre Schoeller e Andreas Dresen.

Ainda não fechado, o júri de "Un Certain Regard" terá como presidente o cineasta alemão Fatih Akin, e o da Câmara de Ouro o diretor francês Bruno Dumont.

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