Gilberto Gil deixa o Ministério da Cultura

BRASÍLIA - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, entregou nesta quarta-feira pedido de demissão ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em caráter irrevogável. Gil disse que está com dificuldades para conciliar sua agenda política com a carreira artística. Acredito que consegui cumprir o ciclo, fiz o meu dever. Eu me afasto por necessidades pessoais, mas com um certo ar de saudade. Um sentimento de perda, afinal foram cinco anos e meio de convívio muito importante, disse em entrevista coletiva. Juca Ferreira, secretário do ministério, assume interinamente o lugar de Gil, que parte em turnê para o exterior.

Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias |

Agência Brasil
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Gil se reuniu com Lula nesta quarta-feira
Durante a coletiva, Gilberto Gil afirmou que o presidente Lula, pela primeira vez, se mostrou sensível e mais tranqüilizado ao seu pedido. O presidente Lula já percebeu que, agora, nós temos condição de nos afastar sem dificuldades maiores para ele, tanto do ponto de vista político quanto do desempenho técnico do ministério, acrescentou.

Bem humorado, o ministro acrescentou que teria marcado um gol no presidente. Eu disse que ele estava ganhando de 2 a 0. Agora fiz um gol nele, brincou.

Questionado sobre as críticas que sofreu por estar negligenciando o Ministério da Cultura para privilegiar a carreira artística, Gil afirmou que não se sente responsabilizado.

Não me incomodam muito as críticas porque não me sinto responsabilizado por uma atitude negativa em relação a isso. Conciliar as duas coisas teve vantagens no Brasil, pela projeção do Ministério da Cultura no exterior. Houve sinergia entre o trabalho do artista e do ministro. Foi uma coisa positiva e não um estorvo,argumentou.

Ao final do discurso, o ministro disse ainda que a música Refazenda ilustrava sua passagem pelo governo, pois fazia referência ao Planalto Central. Acho que 'Refazenda' tem tudo a ver com esse momento. Esse governo significa uma refazenda extraordinária para o País. O presidente me relatava há pouco o avanço da agricultura familiar com os biocombustíveis. Eu a cederia como jingle. Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão, disse o cantor.

Juca Ferreira

Agência Brasil
Juca Ferreira assume lugar de Gil
Ex-militante estudantil, o sociólogo e ambientalista Juca Ferreira deixará para trás, pelo menos por ora, o papel de braço direito para assumir o comando do Ministério da Cultura com a saída de Gilberto Gil da pasta.

Ferreira foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro interino, mas segundo Gil a intenção do presidente é manter o sociólogo à frente do ministério.

Desde que Gil assumiu a pasta, no início do primeiro mandato do presidente Lula, Ferreira era secretário-executivo. Ele já vinha atuando como ministro interino quando o músico tirava férias ou viajava para suas turnês.

Natural de Salvador, Ferreira foi militante estudantil e passou nove anos exilado no Chile, na Suécia e na França, onde se formou sociólogo, durante o regime militar.

Ao voltar ao Brasil após a anistia, desenvolveu diversos projetos na área de cultura, como o Projeto Axé, de arte-educação para adolescentes em situação de risco social.

Ferreira, do Partido Verde, foi Secretário de Meio Ambiente da prefeitura de Salvador e também assessor especial da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Eleito duas vezes vereador em Salvador, em 1992 e 2000, Ferreira foi convidado por Gil para integrar seu ministério em 2003.

Verbas

No momento, Ferreira trabalha em um grande pacote cultural que engloba mudanças na Lei Rouanet, de incentivos fiscais, e adoção de novos mecanismos de fomento à atividade cultural. O pacote vem sendo negociado com o governo e o Congresso.

Defensor de uma reforma na Lei Rouanet, Ferreira também lutou ao lado de Gil em 2004 e 2005 pela criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), para fomentar e fiscalizar o setor. O projeto foi alvo de duras críticas, dividiu a classe artística e acabou caindo no esquecimento.

Assim como Gil, Ferreira também batalha para um aumento da verba da pasta, que era de 0,2 por cento do total do orçamento da União em 2003 e foi para 0,6 por cento em 2007. Segundo Ferreira, o ideal seria 2,5 por cento, mas no mínimo 1 por cento, como recomenda a ONU.

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