O delegado Paulo Lacerda, afastado da chefia da Abin no dia 1º de setembro, está preso a outro problema que reforça a decisão do Palácio do Planalto de mantê-lo em definitivo fora da agência: a gestão dele como chefe da Polícia Federal está sob investigação da própria PF por suspeita de ¿plantar¿ informações falsas para prejudicar pelo menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Sepúlveda Pertence.

Mendes é o atual presidente do Supremo. Pertence deixou a corte em agosto do ano passado.

A investigação da PF corre em sigilo. Foi aberta no dia 4 de agosto, a pedido do Ministério Público Federal, que levou quatro meses para atender a um recurso do Supremo impetrado em 1º de abril. Pelas investigações já feitas, ficou claro que agentes e assessores da PF inventaram e adulteraram informações deliberadamente.

No caso de Gilmar Mendes, a plantação da PF, confirmada por depoimentos de jornalistas, foi feita dias depois de ele ter concedido um habeas-corpus ao ex-procurador do Maranhão Ulisses Cesar Martins, um dos investigados na Operação Navalha, que desarticulou uma quadrilha que fraudava licitações em obras públicas, beneficiando em especial um esquema montado pela construtora Gautama.

Irritada, a PF deixou vazar a informação de que Mendes aparecia na lista de mimos e brindes que a empreiteira distribuía entre autoridades dos governos federal, estadual e municipal. O inquérito da Operação Navalha não deixa dúvida de que a Polícia Federal sabia que o Gilmar Mendes que aparecia nas investigações não era o ministro do Supremo. Em todos os relatórios, a PF já havia identificado Gilmar Mendes como um ex-secretário de Estado (Fazenda) de Sergipe. No caso de Sepúlveda Pertence, a PF tirou conclusões e escreveu sem provas, em um relatório oficial, que o então ministro do Supremo vendera uma sentença proferida no dia 6 de outubro de 2006.

A Polícia Federal afirmou que Pertence negociou a sentença depois de fazer escuta entre três advogados do escritório GDN Consultores Associados, que cuidaram de uma ação cautelar envolvendo o Banco do Estado de Sergipe. Como um dos grampeados dizia ter conseguido no Supremo a sentença que queria, a PF, sem mais nenhuma investigação, concluiu: Trata-se do primeiro indício de que as decisões judiciais proferidas na ação cautelar e no recurso extraordinário foram negociadas, ao menos no que se refere à sua celeridade, com o próprio ministro Sepúlveda Pertence e/ou seus assessores jurídicos. A suspeita virou notícia em site da internet. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.