Gerdau mantém meta de 80% de suprimento próprio

A Gerdau mantém a meta de chegar a 80% de suprimento próprio, em relação a sua necessidade de minério de ferro, dentro de aproximadamente dois anos, informou hoje o vice-presidente executivo de Finanças da companhia, Osvaldo Schirmer. Ele participou hoje de reunião da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais/Extremo Sul (Apimec-Sul).

Agência Estado |

Segundo Schirmer, temporariamente a autossuficiência de minério foi atingida com o desligamento, para manutenção, de um alto-forno na Açominas, durante os ajustes de produção à queda de demanda. A Gerdau tem reservas estimadas em 1,8 bilhão de toneladas de minério.

O grupo também informou que praticamente concluiu as negociações com fornecedores de carvão que fazem contratos anuais de entrega. O presidente da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, disse que, na maior parte dos casos, o grupo conseguiu postergar as entregas ou renegociar os preços. Além disso, a companhia deve haver redução de custos na Açominas no segundo semestre.

Questionado sobre a política de dividendos, Schirmer respondeu que o grupo não vai deixar o padrão atual, que prevê distribuição de 30% do lucro, mas pediu mais prazo para que a companhia possa avaliar a evolução do cenário econômico. "Acreditamos fortemente que poderemos voltar à nossa política de distribuir sempre dividendos", afirmou.

Preços
O presidente da Gerdau disse ainda que vê reação nos preços do aço em alguns mercados, embora mantenha a previsão de estabilidade para as cotações no Brasil. No mercado à vista de exportação de aço, houve recuperação de preços nos últimos dois meses, segundo o executivo. Em vários produtos, os aumentos foram de US$ 50,00 a US$ 100,00 por tonelada na venda à vista.

Como os participantes do mercado à vista são flutuantes, ele considerou os dados um "bom termômetro" para a retomada da demanda, com reposição de estoques. Questionado sobre o comportamento dos principais produtores de aço e da Gerdau após a crise, o executivo considerou que os concorrentes têm adotado as mesmas medidas que a siderúrgica brasileira, de redução de custos e ajuste da atividade. No entanto, segundo ele, alguns grupos vão sair mais fracos do processo. "O que se vê é que a consolidação (de empresas) deve voltar ao longo dos próximos anos", previu. Na Gerdau, o foco é nos ajustes internos. "Não estamos focando em consolidação neste momento e, provavelmente, também no ano que vem."

Programa habitacional

O programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal, pode gerar uma demanda de até 1 milhão de toneladas de aço em um período de três a cinco anos, estimou a Gerdau. Além do programa do governo federal, que pretende estimular a construção de 1 milhão de moradias, o presidente da siderúrgica lembrou que a construção civil traz boas indicações de retomada de lançamentos imobiliários no Brasil.

Em sua análise do comportamento da demanda por regiões de atuação da Gerdau, Johannpeter citou que grande parte da retomada na América do Norte depende de medidas de estímulo do governo. "Vemos que os Estados Unidos, até o final do ano, começam a retomar o crescimento", comentou, ao prever que a melhora deve ser mais visível em 2010. Na América Latina, o governo chileno lançou um pacote de estímulo econômico de US$ 4 bilhões para 2009. No segmento de aços especiais, que foi o mais afetado na Gerdau pela crise, o Brasil teve destaque com a redução de impostos para o setor automotivo, que manteve a demanda de veículos leves.

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