Genro: Operação João de Barro não teve caráter político

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou hoje que a Operação João de Barro, desencadeada pela Polícia Federal (PF) em sete Estados e no Distrito Federal, não teve caráter político e apenas seguiu orientações técnicas de órgãos da União. Em entrevista no Ministério da Justiça, Genro afirmou que a operação seguiu o novo manual da PF de não expor as pessoas suspeitas de crimes.

Agência Estado |

"Nós gostaríamos de dizer que todas essas buscas, mandados de prisão e o trabalho de investigação feito não têm nenhuma destinação voltada a qualquer região ou facção política. Ela obedece estritamente o trabalho de órgãos técnicos da União Federal."

Genro disse que operações como a João de Barro continuarão sendo realizadas pela PF. Segundo ele, as operações só no dia de hoje tiveram por finalidade combater a lavagem de dinheiro em Santa Catarina e em São Paulo - o que envolveu o trabalho de 252 policiais e 33 auditores fiscais; o combate ao narcotráfico em Mato Grosso, onde um efetivo de 120 homens cumpriu 18 mandados de busca e 24 prisões e o trabalho de combate à corrupção em outros municípios do País, envolvendo mil policiais.

Foram cumpridos nessa última operação 231 mandados de apreensão e 38 prisões em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Distrito Federal, com base em indicações do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU). "É importante ressaltar que essas inspeções são consideradas rotina para a Polícia Federal e o governo. São operações realizadas de maneira transversal na máquina pública, com articulação permanente do Ministério da Justiça e do Ministério Público", afirmou.

Convocação

Questionado sobre o motivo da convocação da imprensa, já que a PF falaria em seguida sobre a Operação João de Barro, o ministro da Justiça disse que resolveu se antecipar porque tinha "absoluta certeza" de que os jornalistas iam passar a tarde inteira lhe telefonando.

Para o ministro, o fato de a operação ter sido desencadeada para impedir o desvio de dinheiro destinado a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não significa que o programa deva ser interrompido para uma avaliação. "Pelo contrário, tem que apressar as obras do PAC. Agora, as distorções locais ocorrem em qualquer tipo de obra. A diferença é que há uma luta sem trégua e contínua contra a corrupção", disse.

Durante a entrevista, Genro fez questão de ressaltar o manual da PF que, segundo ele, impede punições antecipadas, com a exposição dos suspeitos presos. "Nós conseguimos aplicar de maneira integral o manual de operação da PF em que as pessoas que estão sendo presas não sejam expostas e essa exposição de pessoas não funcione como punição antecipada."

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