Genro diz que investigação da PF não protegerá ninguém

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse hoje que as investigações da Operação Satiagraha da Polícia Federal não protegerão ninguém do PT, caso sejam descobertas ilegalidades envolvendo integrantes do partido. O recado foi transmitido ao ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), que teve um diálogo ríspido por telefone com Tarso, na terça-feira, quando a operação foi deflagrada.

Redação com Agência Estado |

Depois de ter a prisão pedida pela PF, mas recusada pela Justiça, Greenhalgh ligou para o colega petista. Furioso, disse que, se fosse ministro, jamais envolveria seu nome num "espetáculo" de pirotecnia como aquele.

"Essa observação pressupõe que o ministro da Justiça deve proteger pessoas do partido", afirmou Tarso. O ex-deputado teve conversas grampeadas pela PF e, numa delas, pediu a intermediação de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação de Tarso, possíveis abusos cometidos em investigações desse porte somente serão resolvidos quando o Congresso votar o projeto que impõe maior controle às escutas telefônicas. "Nossa proposta torna a escuta menos invasiva e menos agressiva", disse o ministro.

A operação Satiagraha, da Polícia Federal, foi desencadeada na terça-feira (8), com cerca de 300 policiais cumprindo 24 mandados de prisão e 56 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Segundo a Polícia Federal, os presos na operação são suspeitos dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

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Dantas deixa a prisão pela 2ª vez
As investigações da Polícia Federal se iniciaram há quatro anos, como desdobramento do caso "Mensalão". A PF identificou na investigação pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério, que já está sendo processado pelo mensalão, para intermediar e desviar recursos públicos.

O chamado esquema do mensalão envolvia o suposto pagamento de dinheiro a deputados da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em troca de apoio no Congresso. As denúncias do esquema derrubaram figuras importantes do governo petista, como o então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.

Segundo a PF, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério desviava recursos públicos para o mercado financeiro. A Polícia Federal informou que o esquema seria comandado pelo banqueiro Daniel Dantas.

Os policiais federais descobriram a existência do que a PF descreve como "uma grande organização criminosa", comandada pelo empresário Daniel Dantas, que estaria envolvida na prática de diversos crimes, a partir de informações e documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal. De acordo com a PF, o grupo tinha várias empresas de fachada usadas para a prática dos delitos, principalmente desvio de verbas públicas.

Foi descoberta também pela PF, ao longo da investigação, a existência de um suposto segundo grupo formado por empresários e doleiros que atuariam no mercado financeiro para "lavar" dinheiro obtido em negócios escusos. Este grupo era comandado pelo megainvestidor Naji Nahas, segundo a PF. Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização atuava no mercado paralelo de moedas estrangeiras, ainda de acordo com a Polícia Federal, que diz que há indícios de recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano).

Para a PF, as duas organizações criminosas atuavam de forma interligada, com vários níveis de poder e decisão.

O nome escolhido para a operação, Satiagraha, significa resistência pacífica e silenciosa.

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