General Félix defende permanência do Exército na Providência

BRASÍLIA (Reuters) - O general Jorge Armando Félix, ministro-chefe do gabinete de segurança institucional da Presidência da República, defendeu na quinta-feira a permanência do Exército no Morro da Providência, no Rio de Janeiro. (O Exército) deve continuar o trabalho importante, meritório, que é um laboratório de trabalho que, bem conduzido, tem tudo para dar certo e pode ser estendido a várias comunidades do Rio de Janeiro, disse o general, após lançamento da Semana Nacional Antidrogas, no Palácio do Planalto.

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Jorge Félix acredita que os problemas gerados pela morte de três jovens moradores da Providência, que foram entregues por militares a traficantes de uma favela rival, não devem se confundir com a imagem do Exército.

'Não se pode confundir o erro de um grupo com uma instituição que tem mais de 200 anos', afirmou o general. 'O Exército faz parte da sociedade e tem que ser integrado nessa sociedade. A maioria dos integrantes do Exército é das próprias comunidades, o Exército nunca foi elite.'

Segundo Jorge Félix, o trabalho que está sendo feito no Rio não é diferente do que se realiza no Nordeste, onde o Exército abre estradas, atua na transposição do rio São Francisco e na distribuição de água. 'Não é nada diferente, a filosofia é a mesma.'

O general refutou a idéia de que o Exército esteja fazendo segurança pública e disse que a função é cuidar do material.

'O trabalho nada tem a ver com segurança pública. Aquelas pessoas estão ali para dar segurança ao material, senão desaparece. E não é porque está na favela. Se colocar em Ipanema, vai desaparecer do mesmo jeito', disse Jorge Félix, defendendo a necessidade de prestar segurança às pessoas que trabalham nas obras e aos equipamentos.

Indagado sobre um possível envolvimento de integrantes do Exército com traficantes do Rio de Janeiro, o general respondeu que os inquéritos 'vão revelar o que realmente aconteceu naquela noite'.

Presente à mesma cerimônia, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que a Força Nacional de Segurança está no Rio de Janeiro à disposição do governo do Estado, mas salientou suas limitações.

'A Força Nacional não é feita para substituir o aparato policial local. Ela é uma força complementar', disse Tarso.

Sobre a utilização da Força para ocupar o morro, o ministro foi taxativo. 'A Força não faz ocupação. Ela dá sustentação para a força policial local e essas relações técnicas é que tem que ser definidas quando recebermos a notificação.'

(Texto de Mair Pena Neto)

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