General Félix defende Abin e Lacerda em CPI do Grampo

BRASÍLIA (Reuters) - O chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, defendeu nesta terça-feira a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) da acusação de promover escutas telefônicas ilegais. A direção da agência foi afastada temporariamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira, depois de reportagem da revista Veja acusar o órgão de interceptar ligações telefônicas de integrantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

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Uma das chamadas foi feita entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). O afastamento será mantido até a conclusão das investigações que apuram a origem do grampo.

O ministro assegurou que 'como instituição' a Abin não foi responsável por esse grampo.

'A Abin já foi acusada antes. Nada foi comprovado, mas a imagem negativa ficou', declarou o ministro em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas, da Câmara, conhecida como CPI do Grampo.

Félix elogiou o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, que foi afastado. Para o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o subordinado possui um 'belo' currículo. 'A folha de serviços dele é impressionante no que diz respeito a um servidor público', comentou.

O general afirmou que é preciso aguardar a conclusão das investigações sobre o caso e ponderou que há muitas perguntas a serem respondidas. Ele ressaltou que não está claro se a ligação entre Mendes e Torres foi grampeada no STF, no Senado ou em outro local. Argumentou ainda que não se sabe quem a interceptou, a mando de quem e com que objetivo.

Félix afirmou que a Abin só age dentro dos limites da legislação brasileira, mas reconheceu que as autoridades que ficaram indignadas pela notícia estão 'com toda a razão.' (Reportagem de Fernando Exman)

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