Gastos com Satiagraha foram de R$ 800 mil, diz agente

O presidente da Associação de Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Asbin), Nery Kluwe, afirmou hoje ser voz corrente na Abin que o gasto com arapongas na Operação Satiagraha chegou a R$ 800 mil. O valor é quase o dobro do gasto divulgado pela própria Polícia Federal (PF) que, responsável pelo inquérito, disse que as despesas com a operação foram de R$ 466 mil.

Agência Estado |

"Ouvi dizer que as despesas com a Satiagraha foram de 800 mil (reais). Isso é voz corrente na agência", afirmou, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, na Câmara.

Kluwe não deu detalhes sobre os gastos. "Foi com servidores, diárias. Mas não sou eu quem tem que esclarecer isso. Procurem as autoridades competentes", disse, depois, aos jornalistas. Em depoimento também à CPI, em agosto, o diretor afastado da Abin, Paulo Lacerda, disse que a participação de integrantes da agência ocorreu "informalmente". Por meio de sua assessoria de imprensa, a Abin negou que os gastos com a Satiagraha foram de R$ 800 mil. "Todos os gastos, incluindo compartilhados com outras operações da Abin são de R$ 381 mil", informou a agência.

Ao depor por duas horas em sessão esvaziada - apenas quatro deputados estavam presentes - nem mesmo o relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), apareceu -, Kluwe afirmou que a participação de arapongas da Abin na Satiagraha começou com "apoio natural", ganhando força depois. "Eu suponho que começou com apoio natural, verificação de determinados dados. A situação foi crescendo e achou-se natural."

Negativa

O presidente da Asbin foi taxativo ao negar que tenha sido responsável pelo vazamento do grampo entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). "Repilo e rechaço a maledicente acusação de minha participação no episódio", afirmou, logo em suas primeiras declarações à CPI. "Para a Abin não há interesse nenhum em grampear um ministro, uma autoridade do governo. Para nós é mais vantajoso recrutar uma secretária como fonte humana do que grampear uma autoridade", disse.

A informação de que Kluwe teria sido responsável pelo vazamento do grampo entre Gilmar e Demóstenes é atribuída ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix. O ministro, porém, nega. Em reunião na Abin, Félix, segundo relato de participantes, teria mencionado o nome de Kluwe, o que o próprio presidente da Asbin descartou. "Só faltou dizer o meu nome. A insinuação é mais terrível", disse, acrescentando que tomará medidas "judiciais cabíveis" contra o ministro.

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