O juiz espanhol Baltasar Garzón, que em 1988 pediu a prisão do ditador chileno Augusto Pinochet, disse hoje que não há justificativa para que o Brasil ou qualquer outro país de passado semelhante mantenham em sigilo seus arquivos do tempo da ditadura. Garzón defendeu que todo material secreto tem de vir a público nas democracias, sob pena de ocultar dados e fatos que podem ser de interesse para a proteção dos cidadãos.

Ele disse não acreditar na possibilidade de o Brasil tornar-se um exemplo na iniciativa de abrir seus arquivos. "Não creio que vá ser um exemplo", frisou.

Garzón explicou que cada país tem suas normas e que devem buscar resolver seus problemas de acordo com elas. "Mas temos de ser conscientes de que cada país não é o único no mundo, há uma comunidade e uma estrutura jurídica internacional, há o direito penal humanitária que tem normas estabelecidas e que no momento determinado, se a norma interna está de acordo com a norma internacional, se pode exigir o cumprimento da mesma", alegou. Baltasar Garzón deu entrevista após se reunir com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Para o juiz, uma lei de anistia "local" não pode impedir a investigação de crimes contra a humanidade. "A questão está em qualificar os crimes como de lesa-humanidade ou de não lesa-humanidade e esse é um exercício que tem de ser feito no âmbito estritamente jurisdicional", justificou. Sobre a corrupção, Garzón reconheceu que combatê-la "é sempre muito complicado". "Mas deve estar em um dos primeiros lugares da agenda de qualquer governo e de qualquer sistema", defendeu.

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