SÃO PAULO - Com o objetivo de reforçar sua argumentação para que o menino S. seja ouvido em juízo, Sérgio Tostes, advogado de João Paulo Lins e Silva, o padrasto brasileiro dele, entregou ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, no Rio, a transcrição de entrevista feita com a criança por uma psicóloga na segunda-feira.


Sem ser contestado pela psicóloga, S. identifica Lins e Silva como seu pai e repete que quer ficar no Brasil. Embora a figura do pai biológico, o americano David Goldman, seja pouco explorada na conversa, o menino se queixa de ele ter faltado a visitas. Também aponta os pais do padrasto como seus avós paternos.

O depoimento foi feito em circunstâncias que não causaram stress ao menino. O objetivo é que, com isso, o juiz decida pela oitiva, que todos consideram indispensável em situações desse tipo, disse Tostes.

A pedido do advogado, S., de 9 anos, foi ouvido numa sala especial do setor de psiquiatria da Santa Casa do Rio, onde testemunhas observavam por um vidro espelhado. O menino sabia que estava sendo gravado.

Procurado pela reportagem, o advogado de Goldman, Ricardo Zamariola, não retornou o contato. No julgamento que derrubou a liminar do STF na semana passada, ele argumentou que o menino já tinha sido ouvido por três peritas psicólogas, cujo laudo foi considerado pelo juiz da 16ª Vara Federal do Rio que decidiu pela volta do menino aos EUA no início do mês.

Para a psicóloga Bianca Zacher, secretária-geral da Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica, a família pode estar aumentando o sofrimento do menino ao fazê-lo falar mais uma vez. Segundo ela, é primordial que a criança seja ouvida nesses casos, mas o menor número de vezes possível.

A criança vai revivendo traumas a cada vez que se expõe e precisa contar sua história, que é um sofrimento. Bianca também critica a divulgação da entrevista. Essa criança já está muito exposta. Tostes argumentou que áudio e vídeo não foram divulgados.

O caso

Nascido nos EUA, S. veio ao Brasil em 2004, trazido pela mãe, Bruna Bianchi. Desde então o pai tenta levar o filho de volta aos EUA com base na Convenção de Haia sobre sequestro internacional de crianças. Com a morte de Bruna, no ano passado, a batalha judicial passou a ser travada por Goldman e o padrasto do menino.

Após mais de quatro anos afastados, S. e o pai se encontraram neste ano no Rio, onde o menino mora com o padrasto, os avós maternos e a irmã, fruto do relacionamento de Bruna com Lins e Silva.

O advogado de João Paulo Lins e Silva, Sergio Tostes, afirmou que irá entrar com novo recurso contra a alteração da sentença por parte do juiz, mas comemora o fato da criança permanecer no Brasil.

"A família continua achando muito ruim, mas pelo menos ele não sai do Brasil, disse.

(Com informações do jornal "O Estado de S. Paulo")

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