O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), vai procurar o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, nesta segunda-feira para articular uma reação conjunta do Judiciário e do Legislativo à ação de espiões do governo que, segundo reportagem da revista Veja, http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/08/30/presidente_do_stf_foi_grampeado_pela_abin_diz_veja_1609120.htmlgrampearam telefones dos dois chefes de Poder e de senadores de vários partidos, inclusive do PT.


"O presidente Lula terá que tomar providências. Ele tem um papel decisivo no sentido de afastar qualquer possibilidade de que o seu núcleo de poder esteja patrocinando e incentivando isto", disse o presidente do Senado.

No caso do grampo aos presidentes do Congresso e do STF, Garibaldi diz que está em jogo mais do que a privacidade de um senador e de um ministro do STF. "Devemos adotar providências conjuntas para defender as prerrogativas dos nossos cargos, como chefes de dois Poderes", insiste. A seu ver, "reações indignadas são legítimas", mas é preciso ir além e estudar providências legais para impedir que isto tenha continuidade, além de apurar e punir o crime que já foi praticado".

Garibaldi avalia que o presidente Lula precisa "agir dentro do governo" para reprimir o que está acontecendo. "Acho que, com esta conotação e esta gravidade, esta situação é inédita no Brasil". Diante da informação de que as escutas clandestinas seriam patrocinadas por arapongas da Agência Brasileira de Inteligência, o senador afirma que também cobrará explicações do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda. "A Abin terá que prestar contas ao Congresso e a Justiça".

Demóstenes

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que teve grampeada uma conversa com o presidente do STF, Gilmar Mendes, exigiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que se antecipe a tudo e anuncie medidas que restabeleçam a credibilidade do governo. "O presidente tem de provar que controla a situação, que não é refém de um grupo de bandoleiros, renegados, bandidos e malfeitores hoje instalado no serviço de inteligência".

Demóstenes disse que vai conversar com o presidente do Senado, Garibaldi Alves, para estudar o que fazer. "Nós vamos reagir". Ele não propõe o fim da Abin, porque acha que a agência é necessária para qualquer governo. Só não aceita que seus integrantes fiquem fazendo grampos ilegais. "Alguém tem de explicar qual é a razão por terem grampeado o presidente do Supremo e um senador, e mais senadores e ministros, e altas autoridades do governo. Querem investigar o quê?".

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