Irritado com a movimentação do senador José Sarney (PMDB-AP) para viabilizar uma candidatura de consenso ao comando do Senado, o presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), se reuniu hoje com o senador petista Tião Viana (AC), que também postula o cargo. Os dois fizeram um acordo de procedimento pelo qual devem confirmar em nota suas candidaturas, e ainda sintonizaram o discurso.

"Não aceitamos subterfúgios. Vamos manter nossas candidaturas e queremos respeito", afirmou Tião Viana.

Além de Sarney, Garibaldi se queixou, na conversa com Tião Viana, do colega Renan Calheiros (PMDB-AL) que, segundo avaliou, estaria atuando para deixá-lo constrangido e isolado na bancada. Depois do encontro com o petista, Garibaldi recebeu Renan Calheiros em sua residência. Pela manhã, em entrevista, Garibaldi disse que não "quer desistir" de sua candidatura, mas que está disposto a acatar eventual mudança de posição da bancada que deve se reunir antes da eleição marcada para 2 de fevereiro.

A sucessão para o comando do Senado continua indefinida. Tião Viana disse hoje que sua candidatura é "irreversível" e Garibaldi, que foi lançado pela bancada em dezembro, continua em campanha. Ontem, inclusive, telefonou ao governador José Serra (PSDB), de São Paulo. O senador sabe, entretanto, que poderá ser trocado pela bancada, caso Sarney obtenha consenso para voltar ao comando da Casa.

A insegurança jurídica da eventual reeleição de Garibaldi está levando setores da oposição e do próprio PMDB a reverem o apoio oferecido inicialmente, mesmo porque a ilegalidade de sua candidatura só poderá ser questionada em plenário no dia da eleição. Tião Viana, por sua vez, está otimista. Ele confia nos votos de setores do PSDB e de outros partidos, que se somariam ao apoio declarado pelo bloco governista, inclusive o PDT.

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