Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), admitiu nesta terça-feira a possibilidade de desistir de concorrer à reeleição em favor do ex-presidente da República e da Casa José Sarney.

A bancada do PMDB deve se reunir na quarta-feira da semana que vem para decidir se transfere o apoio dado anteriormente a Garibaldi para Sarney, que na noite de segunda-feira revelou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a disposição de disputar o cargo.

As eleições para as presidências do Senado e da Câmara estão agendadas para o dia 2 de fevereiro. O outro candidato no Senado é Tião Viana (PT-AC).

"Diante das circunstâncias e das dificuldades jurídicas que ainda persistem, acho que a candidatura do presidente Sarney é mais viável", disse Garibaldi à Reuters.

O atual presidente da Casa reafirmou, no entanto, que só renunciará à candidatura se os demais senadores peemedebistas lhe pedirem.

"Se agora o presidente Sarney aceita ser candidato, eu acredito que é a bancada que deve decidir", argumentou.

Sarney vinha negando a possibilidade de tentar voltar a presidir o Congresso, dizendo também que só aceitaria a missão se seu nome obtivesse o consenso dos colegas. Depois das negativas iniciais de Sarney, o PMDB lançou no fim do ano passado a candidatura de Garibaldi, a qual passou a ser alvo de questionamentos.

De acordo com a legislação brasileira, um parlamentar não pode ser eleito duas vezes para presidir a Câmara ou o Senado em uma mesma legislatura. Garibaldi alega, no entanto, que apenas cumpre um mandato tampão em razão da renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL).

Garibaldi negou estar magoado com os companheiros de bancada, mas demonstrou insatisfação. "Fico um pouco frustrado por não poder continuar o trabalho."

Apesar de não trabalhar contra a candidatura de Sarney, um aliado próximo de Lula, integrantes do Executivo defendem um equilíbrio entre as forças políticas que compõem a base aliada no Legislativo. O PT apóia Michel Temer (PMDB-SP) na eleição para a presidência da Câmara, diz que não retirará a candidatura de Viana e cobra reciprocidade dos peemedebistas no Senado.

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