O presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), anunciou hoje que convocará a Mesa Diretora do Senado para cumprir o que determina o Regimento Interno da Casa: fará valer a norma que condiciona a criação, transformação ou extinção de cargos a uma decisão do plenário. Pressionado pela repercussão negativa provocada pela decisão de autorizar a contratação de 97 funcionários em cargos de confiança, com salário de R$ 9,97 mil, Garibaldi resolveu cancelá-la para submetê-la ao plenário.

"Diante do que está acontecendo, diante desse clamor, o Senado tem de ser sensível, tem de ouvir o que está dizendo o clamor das ruas, não pode ficar desassociado, de costas para isso", alegou. A tentativa da Mesa Diretora de absorver a competência dos 81 senadores não é nova. Só que, como explicaram os técnicos do Legislativo, nesses casos polêmicos, a votação em plenário, normalmente, ocorre altas horas da noite, numa estratégia para escapar do assédio. O recuo deu-se uma semana depois de cinco senadores da Comissão de Relações Exteriores (CRE) desistirem de uma "excursão" à Colômbia para fazer uma "visita de cortesia" à ex-senadora franco-colombiana Ingrid Bentacourt, após o fato ter sido divulgado.

No episódio de contratação nos cargos de confiança, chamou a atenção o fato de nem Garibaldi nem nenhum dos integrantes da Mesa terem se responsabilizado pela iniciativa. Ele disse que foi "voto vencido". Cada um dos 81 senadores, dos 16 líderes e os membros da Mesa podem preencher 12 cargos de confiança, 6 de assessores técnicos e 6 de secretários parlamentares, além de ter 9 funcionários do quadro da Casa.

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