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Garcia teme que tese de golpe preventivo se espalhe

Em mais um sinal de desaprovação do Planalto à política dos Estados Unidos para Honduras, o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse hoje temer que a posição americana introduza na América Latina a tese do golpe preventivo. Marco Aurélio insistiu que essa conduta traz o objetivo de branquear (legitimar) o golpe e que seus articuladores - os EUA e alguns países alinhados da região - serão os responsáveis por um longo período de instabilidade em Honduras.

Agência Estado |


"Nossa preocupação é que introduzam a tese do golpe preventivo na América Latina", declarou o assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes da fracassada tentativa do Brasil de reunir os líderes de países amazônicos para uma discussão sobre mudança climática.

"Para os Estados Unidos, é bom ter uma boa relação com a América Latina", advertiu, laconicamente, ao ser questionado sobre a percepção do governo de facto de Honduras de que o reconhecimento americano das eleições seria suficiente para o país voltar à normalidade.

Segundo o assessor, essa questão é mais relevante que a decisão da Suprema Corte de Justiça de Honduras de que a destituição do presidente Manuel Zelaya é definitiva. A palavra final da Corte, para ele, é apenas um "jogo de cartas marcadas" com o Congresso.

Crise

Garcia alegou ainda que sua decepção vem sendo compartilhada publicamente pelo chanceler Celso Amorim e o secretário-geral das Relações Exteriores, Antonio Patriota. No entanto, insistiu que "não há crise" entre Brasil e EUA. Ontem, diante de suas declarações à imprensa, Marco Aurélio recebeu um telefonema do general James Jones, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca.

Hoje, depois de uma hora de conversa com a secretária de Estado, Hillary Clinton, Amorim afirmou que "não há divergências maiores" nos princípios que balizam as posições dos dois países sobre o tema e que o Brasil não fará dessa questão um "ponto de confrontação" com Washington. Segundo o chanceler, a diferença estaria na visão brasileira de que o golpe de Estado não pode nunca legitimar uma mudança política.

Na avaliação do Palácio do Planalto, a indicação dos EUA de que podem vir a reconhecer como legítimo o presidente que será eleito em Honduras no próximo domingo abriria um enorme precedente para outros golpes de Estado na região. Marco Aurélio mencionou os riscos registrados ainda neste ano na Guatemala.

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