BRASÍLIA (Reuters) - O fato de o novo presidente do Chile, Sebastián Piñera, representar forças políticas conservadoras e a pré-candidata do PT a presidente, Dilma Rousseff, ser de centro-esquerda, não deverá atrapalhar as relações entre os dois países caso a ex-ministra vença a eleição de outubro. A afirmação é do assessor da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Piñera, que tomou posse em março, reuniu-se com Dilma nesta manhã, antes de ter um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Garcia estava presente nos dois eventos. Ele lembrou que Dilma participou de grande parte do governo Lula, que "manteve relações cordiais e transparentes" com todos os países da América do Sul.

"A política externa brasileira não é uma política que esteja marcada por nenhum traço ideológico. Ela está marcada, no caso da América do Sul, por duas questões fundamentais. Por um lado, defesa dos interesses brasileiros e nacionais do país. Por outro, defesa intransigente dos processos de integração", disse Garcia a jornalistas após a reunião entre Lula e Piñera nesta sexta-feira.

"Acreditamos que a melhor maneira de defender o interesse nacional é propiciar a integração da região."

Perguntado se a oposição teria lições a aprender com Piñera, cuja eleição marcou o fim de 20 anos de governos de centro-esquerda, o assessor do presidente Lula ironizou.

"Se a oposição procurar essas lições, acho que ela não vai se dar bem. Ela está vivendo dificuldades muito grandes, está sem discurso", destacou.

Para Garcia, PSDB, DEM e PPS não conseguirão convencer o eleitorado de que serão o "pós-Lula", pois nos últimos anos sempre criticaram o governo e levantaram a bandeira do "anti-Lula".

"Não tem caminho de pedras aí. O caminho aí é mais para se afundar do que ir pelas pedras."

(Reportagem de Fernando Exman)

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