Games ajudam pacientes com problemas motores e neurológicos

Jogos ajudam pacientes a executarem tarefas do dia a dia

AE |

O movimento necessário para cortar uma fatia de bolo ou colocar um hambúrguer na frigideira é praticado por Tatiana Lara Castor, de 27 anos, em frente a uma televisão. Com o auxílio de um videogame, ela se esforça para reaprender o que um acidente de carro lhe tirou no início do ano passado.

Tatiana é uma das pacientes do Instituto Lucy Montoro, em São Paulo, que utiliza jogos virtuais como fisioterapia. A técnica terapêutica também é usada pelo Lar Escola São Francisco, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Com o desenvolvimento de jogos e consoles que estimulam o movimento de todo o corpo, e não apenas o dos dedos, instituições especializadas em reabilitação puderam ampliar o alcance dos exercícios. O Nintendo Wii, em que o jogador simula os movimentos com a ajuda de um pequeno bastão, e o EyeToy, que utiliza uma espécie de webcam para reconhecer as ações dos usuários, se tornaram ferramentas da terapia ocupacional.

"O jogo estimula a memória. À medida que o paciente faz o movimento, ele assimila aquela ação, que será mais facilmente acessada quando for necessário", explica a terapeuta ocupacional Thais Terranova, da Rede de Reabilitação Lucy Montoro. O instituto passou a usar o EyeToy como terapia no fim de 2009 e ainda estuda os benefícios do jogo quanto à velocidade de recuperação do paciente. A câmera, acoplada a um Playstation, capta os movimentos dos usuários e os transforma em ações virtuais.

Segundo a psicóloga Luciana Ruffo, do núcleo de pesquisa em psicologia da informática da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, o videogame é mais benéfico do que a realização de exercícios repetitivos. "O jogo é mais prazeroso e portanto melhora a adesão."

Foi graças ao que aprendeu jogando que Tatiana voltou a lavar a louça dentro de casa. Após ter sofrido um acidente quando voltava de Campinas para São Paulo, a ex-instrutora de ioga perdeu os movimentos do lado direito do corpo. "Fiquei sete meses com o braço completamente parado. Hoje consigo mexer a mão e aos poucos recupero o movimento dos dedos. Já consigo lavar louça." Para jogar, ela precisa realizar ações simples. "Basta mudar objetos de lugar, simular a ação de cortar um pepino ou estourar bolhas", diz.

Os pacientes escolhidos para trabalhar com o videogame são os que sofreram sequelas neurológicas ou lesões medulares e, por isso, perderam o movimento de parte do corpo. O EyeToy não exige o uso de um controle e, portanto, não oferece restrições. "Tudo é feito com o próprio corpo. O paciente também pode se ver na tela e reconhecer qual é o movimento que deve fazer para cada uma das ações", diz Thais.

Já o Wii, usado nas atividades do Lar Escola São Francisco há pelo menos dois meses, exige que o paciente tenha controle das mãos e dos dedos. "É preciso que segurem uma espécie de joystick e simulem atividades esportivas. Depois de praticarem dentro da sala, com acompanhamento de um terapeuta, os exercícios podem até ser levados para uma quadra adequada", explica a terapeuta ocupacional do Lar Escola, Sandra Pacini. As atividades utilizam jogos como tênis, golfe e boxe para estimular os pacientes.

Ainda em fase experimental, a terapia com videogame deve ser indicada por um médico. Uma vez encaminhado ao Instituto Lucy Montoro ou ao Lar Escola São Francisco, o paciente passa por uma avaliação que determinará se o uso de videogames é indicado. De acordo com Sandra, o uso do videogame tem motivado o interesse dos pacientes. "Eles acham interessante e percebem rapidamente a recuperação dos movimentos." Tatiana reforça: "Eu me divirto".

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