BRASÍLIA - Após o governo ter conseguido manobrar a favor de um adiamento da CPI da Petrobras, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, esteve nesta quinta-feira no Senado para negociar sobre o depoimento que deve conceder aos parlamentares nas próximas semanas. A oitiva, porém, não tem data definida, uma vez que Gabrielli estará na China nos próximos dias.

Esta manhã, os líderes do PT, Aloízio Mercadante (SP), e do PMDB, Renan Calheiros (AL), conseguiram acordar com os líderes da oposição o adiamento da leitura do requerimento de instalação da CPI. Em contrapartida, José Sérgio Gabrielli deverá ser sabatinado pelas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Assuntos Econômicos (CAE) e Infraestrutura (CI).

A CPI é um instrumento legítimo do Congresso Nacional, mas achamos que deve ser feita sobre fatos concretos e não como palco para acusações diversas. As consequências de uma CPI sem fatos concretos são graves porque podem imobilizar a empresa, porque mobiliza pessoas, mobiliza a empresa para responder a acusações, disse o presidente da Petrobras, após encontro com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O problema não é morrer ou não morrer [a CPI], mas não queremos ficar sujeitos a uma situação onde tudo pode. Dá para esclarecer sem nenhum espetáculo midiático, ressaltou Gabrielli. 

O presidente da empresa aproveitou o encontro para dar explicações aos senadores tucanos Tasso Jereissati (CE), Arthur Virgílio (AM) e Sérgio Guerra (PE) sobre as denúncias de manobra contábil e as acusações de superfaturamento da refinaria de Pernambuco ¿ argumento usado pelo partido para propor a CPI. O encontro foi orquestrado pelo líder petista Aloízio Mercadante.

CPI da Petrobrás

Na última quarta-feira o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) protocolou um requerimento, assinado por 32 senadores, para a criação da CPI da Petrobras. Para que a comissão comece a funcionar, porém, é preciso que o presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP) leia o documento em sessão plenária.

No requerimento, o senador Álvaro Dias aponta indícios de fraudes em licitações de plataformas e denúncias de desvios de royalties do petróleo, fatos que devem ser apurados pelos parlamentares. Ele também destaca a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, onde um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou indícios de superfaturamento que podem chegar a R$ 94 milhões.

Mesmo com o acordo em adiar a instalação da CPI, o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), garante que o depoimento de Gabrielli no Senado pode não ser suficiente. Se as explicações do presidente da Petrobrás não forem convincentes, não haverá motivo para não instalar a CPI. Se for convincente podemos reunir os líderes para rediscutir o assunto, ponderou Maia.


Leia mais sobre:
Petrobras

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.