Por Marcelo Teixeira SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, criticou nesta sexta-feira análises que bancos de investimento e corretoras têm feito sobre a viabilidade econômica da produção de petróleo no pré-sal brasileiro, afirmando que as estimativas de custo de produção atuais não podem ser consideradas.

Gabrielli disse que a produção de petróleo nos volumes que estão sendo projetados para o pré-sal vão demandar o desenvolvimento de um modelo de produção completamente novo, por isso não seria apropriado comparar custos atuais com as perspectivas futuras de prospecção na área.

Mas o executivo acrescentou que, efetivamente, se considerados os dados atuais de modelos e custos, a relação investimento/retorno seria complicada no pré-sal.

Para ele, o que se pode comparar de produção futura da bacia de Santos no momento são o Teste de Longa Duração (TLD), programado para começar em março em Tupi, e o projeto piloto para produzir cerca de 100 mil barris por dia a partir de 2010, que ainda utilizarão sistemas de produção tradicionais.

Para esses, ele diz que a produção é "absolutamente viável ao preço atual do petróleo", sem especificar qual o custo projetado.

"Mas se você for precisar de 300 desses projetos, aí nós vamos ter um problema. Dado o volume do pré-sal, vamos ter que montar um novo modelo de produção, vamos ter que otimizar", disse Gabrielli a jornalistas após participar de evento da indústria química em São Paulo.

"Provavelmente, se nós fizermos com custo e modelo de hoje, vai exigir um volume de investimento tão grande, que não é a maneira mais adequada. Vai ter uma razão investimento/retorno que pode ser complicada", acrescentou.

"Por exemplo, a logística. Como você vai transportar pessoal à distância de 300 quilômetros por helicóptero? Não tem como. Então vamos ter que pensar em outras maneiras, estrutura flutuante no meio do caminho, diminuir pessoal embarcado, equipamento mais automatizado, vamos ter que desenvolver novas tecnologias", citou Gabrielli.

Como exemplo, ele informou que a Petrobras transporta por helicóptero cerca de 40 mil pessoas por mês em suas operações em mar, com distância de aproximadamente 150 quilômetros da costa.

CRESCIMENTO E PREÇO DE COMBUSTÍVEIS

Gabrielli informou que o primeiro campo em produção no pré-sal, Jubarte, na bacia de Campos, está produzindo de 15 a 20 mil barris por dia. Apesar de ser na área pré-sal, Jubarte tem uma camada menos espessa de sal, de apenas 200 metros, contra os dois quilômetros da bacia de Santos, onde está Tupi.

Em plena elaboração do plano de negócios da companhia para os próximos cinco anos, o executivo afirmou que a expectativa é de que a produção da Petrobras cresça 7,7 por cento ao ano.

"Baseados apenas nas reservas provadas que temos, de 14 bilhões de barris, ou seja, sem considerar o pré-sal, podemos ter um crescimento orgânico de 7,7 por cento ao ano", afirmou Gabrielli.

"Podemos crescer organicamente e sair de 2,3 ou 2,4 milhões de barris por dia de produção atualmente para 4,1 milhões de boe/dia de produção até 2015, sem considerar o pré-sal. Isso já seria praticamente a metade da produção de uma Rússia", comparou.

Questionado sobre eventuais mudanças nos preços dos combustíveis no Brasil, após a forte queda no preço do petróleo, ele afirmou que a estatal tem a política de não repassar a volatilidade do mercado de petróleo para os combustíveis e que eventuais mudanças só seriam realizadas quando existir um patamar estável de preço.

(Edição de Denise Luna)

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