SÃO PAULO ¿ O estudo ¿As verbas de gabinete no Senado¿, realizado pela organização não-governamental Transparência Brasil, mostra como os parlamentares gastaram a verba indenizatória em fevereiro, março e nas duas primeiras semanas de abril. Embora fevereiro tenha menos dias úteis, os gabinetes tiveram mais despesas no mês do carnaval do que em março.

De um total de R$ 1,604 milhão, foram informados gastos de R$ 790,2 mil em fevereiro, de R$ 758,4 em março e de R$ 55,4 mil até a metade de abril. O coordenador de projetos da ONG, Fabiano Angélico, aponta duas hipóteses para o fato. Ou estão demorando pra prestar as contas de março ou há gastos irregulares, sugere. Os dois cenários são ruins porque quando a sociedade demanda prestação de contas, é preciso que isso seja feito de maneira organizada para que a população acompanhe, ressalta.

Dos 81 senadores, 73 prestaram contas, três dispensaram o benefício e cinco não apresentaram notas. A maior fatia das despesas, R$ 621 mil, foi consumida na categoria que inclui transporte, alimentação, estadia e combustível. Seis senadores informaram gastos superiores a R$ 20 mil nesse item, de acordo com o estudo. Já no item aluguel de escritório político, foram quase R$ 430 mil. Sete senadores declararam despesas superiores a R$ 15 mil.

Em divulgação da atividade parlamentar e consultorias, 54  senadores despenderam R$ 556 mil. Os senadores costumam dizer que todas essas atividades são importantes, mas muitas vezes essa divulgação é um jornalzinho, uma auto-propaganda, alerta Angélico. O coordenador da ONG também ressalta o fato de que o Senado já tem um quadro fixo de funcionários concursados, qualificados, que poderiam fazer esse trabalho.

Ainda falta transparência

De acordo com a ONG, o Senado, ao contrário da Câmara, ainda dificulta o acesso à informação sobre a presença dos senadores ao trabalho, sobre gastos com viagens dos parlamentares e sobre despesas com vencimentos dos assessores.

Para que o Senado ofereça melhores condições de fiscalização da verba indenizatória por parte da população, Angélico acredita que três informações seriam essenciais: dados sobre viagens, presença em sessão plenária e nas comissões.

As informações sobre os gastos, entre outros dados, como processos na Justiça e financiamento eleitoral, podem ser consultadas no Excelências , projeto da Transparência Brasil .

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